Instituto Reação: 1. Fala um pouquinho da trajetória de vocês e por que vocês escolheram essa profissão (designer). Raffael Massena: Eu fui escolhido pela profissão, na verdade. Eu dava aula de comunicação visual na Data Control em Vila Velha no Espírito Santo, isso em 2002, meu primeiro emprego. E um aluno me chamou para uma entrevista na TKG2, uma agência de publicidade. Lá dentro, fui pescado por um canal de comunicação digital de uma tevê daqui do Espírito Santo, era um portal, que depois se separou e eu fui o “designer” titular até me mudar para Genebra. Essa parte da minha vida foi patrocinada pelo software de animação Flash, inclusive pude conhecer os irmãos Piologo por conta disso, Ricardo e Rodrigo. Era época do Mundo Canibal. Primórdios da internet. Na Suíça, fiz uns bicos de edição para umas revistas conhecidas, mas eu era tipo o ghost designer, os caras chegavam com o material me entregavam e iam tocar bateria no porão enquanto eu editava. Em dezembro de 2008, fui morar no Rio, na Barra, onde trabalhei fazendo de tudo com o Photoshop: cinema, varejo, internet, editava vídeo… Trabalhei com Natura Musical, Festival de Cinema do Rio, Oi, Loreal, Gm, Vivo, Record, Globo. Comecei na Núcleo da Ideia, e aqui tem um fato curioso: o prédio onde eu trabalhava era o Island Office, onde na Novela do Pereirão(Fina Estampa) era a faculdade de medicina do Antenor, Caio Castro. Depois Agência Frog, Binder e Conspiração Filmes fazendo Vai que Cola 2. No fim de 2019, me mudei para Vitória para escrever. Instituto Reação: 2. Fala pra gente o que de fato faz um designer. Muitas pessoas confundem design com desenho ou arte, claro, confundem porque não sabem. Podem dizer para nosso jovem o que é essa profissão? Raffael Massena: Pergunta capciosa, porque design é uma maneira de fazer e pensar que envolve um todo aí, que pode incluir arte, inclusive. Mas é uma maneira de resolver dores, como se diz, questões do cliente, e você faz isso acionando o modo resolvedor de problemas. E para isso existem métodos e técnicas de gerenciamento do próprio raciocínio e equipe. Você pode usar metodologias ágeis, design thinking, tentativa e erro ou escutar apenas o cliente e ver no que dá. Mas em resumo, design é projeto embasado em pequenas pesquisas de possibilidades viáveis e por conseguinte, implementação concreta da solução. Seja em etapas e produtos visuais ou não. Instituto Reação: 3. Podem dar uns exemplos de como o Design é importante na nossa vida? Raffael Massena: Imagine o design como um mapa de melhores práticas, se você quiser chegar do ponto A ao ponto B no tempo X, você vai precisar traçar uma rota. Isso já é design. Você sabe onde quer chegar. Como vai fazer isso, vira teu projeto. O cara para ser Designer ele precisa ter o espírito de pesquisador, ser flexível com respostas ruins ou erradas, fazer testes e aprender com o percurso. Estudar as maneiras de ficar mais afiado em resoluções práticas, implementação de projetos viáveis com o mínimo que te entregaram como briefing. E saber qual área atuar, seria digital? Ergonomia? Impressão? Algo que ainda não inventaram? Ele quem sabe. Instituto Reação: 4. A criatividade vem do nada ou existe um processo/método para criar coisas novas? O que é a criatividade para o Designer? Raffael Massena: Bom, ao menos para mim, criatividade é a soma dos momentos de estudo sobre a profissão mais a vontade de fazer. Quanto maior for o seu acervo de ferramentas mentais, melhor é a articulação entre os conhecimentos para chegar a novas ideias. É preciso saber ser parte de um todo, ser também uma ferramenta que aponta caminhos assertivos e que tenha beleza. Em tudo é preciso ter beleza. E beleza, por sua vez, precisa de um contexto para se destacar. Então é preciso saber onde está se metendo. Conhecer os grandes e ver o que gosta no meio disso tudo. Qual é o seu jeito de realizar o design. O designer pode criar isso também, esse método próprio de atuar. Instituto Reação: 5. Quais são os maiores desafios da profissão hoje, quais obstáculos vocês encontram e também o que vocês aprenderam ao serem designers. Raffael Massena: O maior desafio: tudo muda, a todo instante. É preciso estar atento às novidades e focar num caminho que te leve mais longe, que te dê fôlego no mercado. Estudar o mercado de trabalho é importante. Mas é importante não deixar de aprender nunca, todo dia é dia de saber algo novo e botar em prática. Não existe mais lugar no mercado para algo fixo. As novas ferramentas, tendências e resultados chegam a todo instante. Os obstáculos que encontrei foram justamente estes, reciclagem do modus operandi, são soft skills necessários para o futuro da profissão. Que hoje já se divide em vários desdobramentos do título de Design ou Designer. Design de quê? O que eu aprendi foi que isso é uma ótima coisa, e eu uso como filosofia de vida. Passei a assumir minhas deficiências e trabalhar para superá-las. Constantemente, com calma e entendendo que não se come a fruta ao plantar a semente. É necessário organização e processo. E isso começa no comportamento da pessoa, que migra para o profissional. Instituto Reação: 6. Vocês podem dar dicas para os jovens que se interessam por essa profissão? Raffael Massena: Façam biologia marinha, brincadeira. Eu quero dizer aos jovens que o mercado é repleto de demandas, de fases e profissões volúveis, digamos assim, mas mesmo que você descubra lá na frente que não é isso que você quer, tente ser uma versão catalisadora, dinâmica de você nesse processo. Aproveitar os temas afins, que te complete na sua vida prática e que transforme a vida das pessoas para melhor. Dentro do escopo do design existem teorias sobre a cor, história, composição, recepção, engajamento, ergonomia, equipe, gerenciamento… São questões excelentes e servem para outros momentos e grupos ao longo da nossa vida. Nós estudamos para transformar, nós trabalhamos para transformar. É preciso ética! Precisamos redesenhar esse mundo de hoje em algo melhor, e para isso é preciso muito design, prática e amor.
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TRANSCRICAO. 16.11.2020
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