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321. TRANSCRICAO. 16.11.2020 321

Instituto Reação: 1. Fala um pouquinho da trajetória de vocês e por que vocês escolheram essa profissão (designer). Raffael Massena: Eu fui ​escolhido​ pela profissão, na verdade. Eu dava aula de comunicação visual na Data Control em Vila Velha no Espírito Santo, isso em 2002, meu primeiro emprego. E um aluno me chamou para uma entrevista na TKG2, uma agência de publicidade. Lá dentro, fui ​pescado​ por um canal de comunicação digital de uma tevê daqui do Espírito Santo, era um portal, que depois se separou e eu fui o “designer” titular até me mudar para Genebra. Essa parte da minha vida foi patrocinada pelo software de animação Flash, inclusive pude conhecer os irmãos Piologo por conta disso, Ricardo e Rodrigo. Era época do Mundo Canibal. Primórdios da internet. Na Suíça, fiz uns bicos de edição para umas revistas conhecidas, mas eu era tipo o ghost designer, os caras chegavam com o material me entregavam e iam tocar bateria no porão enquanto eu editava. Em dezembro de 2008, fui morar no Rio, na Barra, onde trabalhei fazendo de tudo com o Photoshop: cinema, varejo, internet, editava vídeo… Trabalhei com Natura Musical, Festival de Cinema do Rio, Oi, Loreal, Gm, Vivo, Record, Globo. Comecei na Núcleo da Ideia, e aqui tem um fato curioso: o prédio onde eu trabalhava era o Island Office, onde na Novela do Pereirão(Fina Estampa) era a faculdade de medicina do Antenor, Caio Castro. Depois Agência Frog, Binder e Conspiração Filmes fazendo Vai que Cola 2. No fim de 2019, me mudei para Vitória para escrever. Instituto Reação: 2. Fala pra gente o que de fato faz um designer. Muitas pessoas confundem design com desenho ou arte, claro, confundem porque não sabem. Podem dizer para nosso jovem o que é essa profissão? Raffael Massena: Pergunta capciosa, porque design é uma maneira de fazer e pensar que envolve um todo aí, que pode incluir arte, inclusive. Mas é uma maneira de resolver dores, como se diz, questões do cliente, e você faz isso acionando o modo resolvedor de problemas. E para isso existem métodos e técnicas de gerenciamento do próprio raciocínio e equipe. Você pode usar metodologias ágeis, design thinking, tentativa e erro ou escutar apenas o cliente e ver no que dá. Mas em resumo, design é projeto embasado em pequenas pesquisas de possibilidades viáveis e por conseguinte, implementação concreta da solução. Seja em etapas e produtos visuais ou não. Instituto Reação: 3. Podem dar uns exemplos de como o Design é importante na nossa vida? Raffael Massena: Imagine o design como um mapa de melhores práticas, se você quiser chegar do ponto A ao ponto B no tempo X, você vai precisar traçar uma rota. Isso já é design. Você sabe onde quer chegar. Como vai fazer isso, vira teu projeto. O cara para ser Designer ele precisa ter o espírito de pesquisador, ser flexível com respostas ruins ou erradas, fazer testes e aprender com o percurso. Estudar as maneiras de ficar mais afiado em resoluções práticas, implementação de projetos viáveis com o mínimo que te entregaram como briefing. E saber qual área atuar, seria digital? Ergonomia? Impressão? Algo que ainda não inventaram? Ele quem sabe. Instituto Reação: 4. A criatividade vem do nada ou existe um processo/método para criar coisas novas? O que é a criatividade para o Designer? Raffael Massena: Bom, ao menos para mim, criatividade é a soma dos momentos de estudo sobre a profissão mais a vontade de fazer. Quanto maior for o seu acervo de ferramentas mentais, melhor é a articulação entre os conhecimentos para chegar a novas ideias. É preciso saber ser parte de um todo, ser também uma ferramenta que aponta caminhos assertivos e que tenha beleza. Em tudo é preciso ter beleza. E beleza, por sua vez, precisa de um contexto para se destacar. Então é preciso saber onde está se metendo. Conhecer os grandes e ver o que gosta no meio disso tudo. Qual é o seu jeito de realizar o design. O designer pode criar isso também, esse método próprio de atuar. Instituto Reação: 5. Quais são os maiores desafios da profissão hoje, quais obstáculos vocês encontram e também o que vocês aprenderam ao serem designers. Raffael Massena: O maior desafio:​ tudo muda, a todo instante. É preciso estar atento às novidades e focar num caminho que te leve mais longe, que te dê fôlego no mercado. Estudar o mercado de trabalho é importante. Mas é importante não deixar de aprender nunca, todo dia é dia de saber algo novo e botar em prática. Não existe mais lugar no mercado para algo fixo. As novas ferramentas, tendências e resultados chegam a todo instante. Os obstáculos​ que encontrei foram justamente estes, reciclagem do ​modus operandi​, são soft skills necessários para o futuro da profissão. Que hoje já se divide em vários desdobramentos do título de Design ou Designer. Design de quê? O que eu aprendi​ foi que isso é uma ótima coisa, e eu uso como filosofia de vida. Passei a assumir minhas deficiências e trabalhar para superá-las. Constantemente, com calma e entendendo que não se come a fruta ao plantar a semente. É necessário organização e processo. E isso começa no comportamento da pessoa, que migra para o profissional. Instituto Reação: 6. Vocês podem dar dicas para os jovens que se interessam por essa profissão? Raffael Massena: Façam biologia marinha, brincadeira. Eu quero dizer aos jovens que o mercado é repleto de demandas, de fases e profissões volúveis, digamos assim, mas mesmo que você descubra lá na frente que não é isso que você quer, tente ser uma versão catalisadora, dinâmica de você nesse processo. Aproveitar os temas afins, que te complete na sua vida prática e que transforme a vida das pessoas para melhor. Dentro do escopo do design existem teorias sobre a cor, história, composição, recepção, engajamento, ergonomia, equipe, gerenciamento… São questões excelentes e servem para outros momentos e grupos ao longo da nossa vida. Nós estudamos para transformar, nós trabalhamos para transformar. É preciso ética! Precisamos redesenhar esse mundo de hoje em algo melhor, e para isso é preciso muito design, prática e amor.