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328. TINNITUS. 23.11.2020 328

Escovou os dentes com violência. Puxou o lábio superior. A gengiva retraída era um mistério, dos vários que seu corpo apresentava. Ao longo dos anos, uma entrada avançou pela esquerda da testa. As unhas ganharam manchas escuras. As veias como rios vazantes. As pequenas primeiro, nos pés, feito afluentes de sangue abandonando canais. O tecido visível estica para um fim, de algo que começou longe. A voz não se ouve mais. Alguns odores, prazerosos até, dissiparam, fugiram do laço que a todos cerca. Impulso do nó, pulsão de dentro. É uma vontade de consumir pela boca, de matar de apertar, de viver para desmoronar. O evento constrangedor. Ter que chegar e escolher apenas como foi. Não há saída: há seleção; parca, escassa, mas é imperativa – íntima e indescritível -. Vai, primeira e última vez. Um meio que não há como justificar. O sim diante do então! Agora, não! Já, já!