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327. VANJE. 22.11.2020 327

O sinal interrompido foi o grito de vitória para os revolucionários. A estação foi desligada pelos empresários piratas. O pouco que sobrou do pálido ponto azul agora estava nas mãos de gente de verdade. – Outra vez! – Capitão, já é a décima varredura nos dados. – Se ainda houver algum chanceler criptografado, nós precisamos evitar que toda essa bosta se repita. Os satélites perderam o alinhamento com a central, orbitavam sem outra função, senão a de lembrar o povo. Nenhuma tecnologia seria usada contra humanos outra vez. – Mãe, não pude me despedir da Bek, parece que acabou a bateria… – Filhinha, chega de mentiras. Somos independentes, finalmente. – O presidente também era um deles? – Não temos presidente há anos, minha criança. – Fille está se referindo ao Chanceler, Okaasan. – Ocko, essas palavras precisam morrer. Fille representa o novo mundo. – Me desculpe, Okaasan. Contei sobre os primevos, mas isso foi há ciclos e ciclos atrás. – Fille, prometa nunca mais repetir essa palavra. Vanje? – Vanje, mama! O tremor cresceu e alcançou as bases do esconderijo. A vitória tinha o cheiro forte de combustível queimando. A menina, que pela primeira vez via a luz do segundo sol, presenciou a queda da maior estrela artificial. – Fille, veja quantas crianças existem. Vá! – É seguro, papa? – Você decidirá. *** – Um futuro de estrelas no chão, Ocko. – Nada acima de nossas cabeças, Okaasan, nunca mais. – Nunca mais.