Um corpo em perfeito funcionamento é de uma violência descabida. O oxigênio entra pelas narinas envelhecendo tudo que toca. A atmosfera nos esmaga com a violência da pressão. A gravidade nos prende com o peso de tudo que carregamos sobre ossos que crescem e dilaceram cartilagens. As gengivas rasgadas pelo marfim. Tudo para proteger o que mora dentro. Toda tecnologia para manter o frágil receptáculo imaculado, vivo, respirante. Tórax é o lugar sagrado. As costelas, frágeis amazonas, guardam o santo graal. E mesmo com todo o aparato, com todo investimento no manto, a pele que isola do profano, mesmo os telhados que guardam crânios; tudo que separa a tez do solo, tudo que foi construído para dominar, sobrepujar a própria natureza, de nada vale: basta uma palavra, um toque, um acidente casual ou aroma. Anos, décadas, milênios de adaptação evolutiva, ignorados… O amor é um terrorista sem propósito, aliciado por desígnio, mas sem razão. Dois amantes são o maior perigo. Uma depravação dos sentidos. Que dor! A juventude é uma traição.
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TERRORISTAS. 03.12.2020
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