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339. INFERNO ASTRAL. 04.12.2020 339

Quando tudo acontece no mesmo dia, e você está a poucos dias do seu aniversário, considere como sendo o dia do pare e respire. Planejei tudo certo; dormi cedo – talvez tarde para você que lê, mas era o meu cedo possível -, lavei a louça pela manhã, antes do café, como prometido. Tomei banho e esperei, algo não estava certo. A sensação é irritante. Falta aquilo, você não sabe exatamente o que é, não é possível perguntar. É algo do tipo que só se define quando encontra, mas não se pode procurar. Resumindo, no meu caso, era retocar o azul dos cabelos. Tenho ciúmes de dezembro, muita competição. É o velho Noel, virada. O prólogo é meu aniversário, mas o canto orfeônico são os dias que o precedem. Enfim, sempre atravesso o caos que é o tal do inferno astral. Hoje, por exemplo, saiu o podcast em que fui convidado para falar sobre processo de escrita e um plano anual (um NanoWriMo de 365 dias) e o áudio, no momento em que apenas eu falava, mascou. Silêncio. Entendi o ocorrido imediatamente. Fui ver tevê e esperar a alteração do arquivo. Aconteceu o mesmo no JN. O Bonner pediu a matéria para a técnica e foi pro ar sem o áudio. Imediatamente, entendi o dia todo. É um grande teste, tá tudo aí. Um miraculoso último desafio para saber se você está maduro o suficiente para soprar velas. Tudo na vida, absolutamente tudo, é uma questão de rituais. Uns te servem, outros não. O inferno é para quem pode vivê-lo. O resto é o céu.