Saí cedo de casa, antes dos treze, eu acho que era treze. Tenho documento não. Deixei em casa é nada, nunca tirei mesmo. Nem sei como é meu nome. Joaquim ou João. Minha vó perdia o fôlego antes de terminar a palavra. Tentaram me botar na jaula de aula com um lápis na mão, mas quem veio parar entre meus dedo foi a professora, gostosa que só a porra, véi. Ela me disse que eu já era homem, meu pai tinha me dito que quando eu virasse macho eu podia tocar minha vida. Toquei pra fora daquela misera, igual ele fez. Eu ando vadiando por aí, tá compreendendo? Gosto de ninguém se metendo comigo não. Eu é que meto neles. Esse monte de cicatriz é tudo que eu tenho pra contar das minhas história. A mais triste delas é que sofro de uma queda por educadora. Outro dia, um professor vei me relá, dois soco no pau do nariz. Odeio voltar pra cá, essa gente acha que é robô que senta nas carteira, que dá pra comer essa comida com gosto de pilha e que nosso corpo é máquina de trabalhar. Entrou uma estagiária, veio com um papo diferente, falando de palavras geradoras e tal. Só pensei nela gerando meu filho. Mas gostei de conseguir escrever isso bem sacana e deixar no armário. Pode até me domesticar, varrer a rua de mim – disse que vai me “alfe”… cumé? Alfabetizar. Espia só, que palavrão, macho -, mas a mãe dos meus menino tem que ser ela. Vale o escrito! Quando eu decido, a pessoa mesmo nem desconfia, mas já é tarde demais.
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TARDE. 17.10.2020
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