Meu nome é Turu, sem outro nome, só Turu mesmo. Se um pedaço podre de madeira cai na água, gruda nele um molusco com o mesmo nome: Turu. Todo mundo que eu conheço nessa cidade parece ter um destino certo, o meu não sei não qual é. Vivo é procurando merecer o prato que me dão. Já não sinto mais fome, mas como pra poder adorar o meu amor. Ele é que traz a carne aqui pra pensão. Passo a faca no bife e fico querendo amar qualquer um. O cheiro do sangue quando sai de uma pessoa me dá pavor. Não gosto. Gosto de cheiro de bicho morto. Seu Terê tá morto, mas não é bicho. A boca espumou, ele apertou o peito e pronto. Velei o patrão na sala de televisão. Zé do Alho trouxe a sanfona e minhas amiga vieram fazer volume e clientes. Bebi o morto e esperei os parente vir me tirar. Tiraram, mas antes continuei recebendo a carne, sem avisar, enrolando o pagamento. Quando ele disse que ainda ia me foder eu achei foi graça. Balançou a faca pro meu lado, enorme. Eu ri e ele também, só que o sorriso dele desvirou mais rápido que o meu. Nesse cu de mundo deram pra me chamar de canibal, também pudera, não tenho outra coisa pra comer. Não me dão mais nada, e eu, sem poder falar, nado até encontrar um toco grande o suficiente. Quando abro, tá lá as galeria brocada que enche meu bucho furado de amor.
290
290.
GALERIA. 16.10.2020
290