Sem ter a quem dar tchau, enterrou as chaves. Arrastou o corpo oferecendo a carcaça. Uma única peça de roupa, sucessão de adiamentos. Ao passar pelo porteiro, deixou ali uma escultura em sal. Lassidão ao caminhar. Peçonha por baixo das unhas. A cápsula de verniz utilitário transportava o esqueleto numa só desfilada. Rompeu o ordinário. Fez o que foi fazer. Pagou sem caridade. Um caminho feito de estátuas absurdas, boquiabertas. Desencantou o funcionário. Subiu ao último andar. Esqueceu a comida do gato, que não morava mais lá.
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SOLILOQUIO. 10.08.2020
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