A pele despertou, amarrou os limites, sustentou vontades. Acordou acordando. Rebolou até o banheiro. Sentiu o rosto, as tetas, a barriga. Alongou o pescoço, seduziu. Espreguiçou pelo meio do caminho. Suspirou o bom-dia. Mania de escovar os dentes pela casa, alisando discos, ajeitando forrinhos. A forma engraçada no reflexo da geladeira. Riso babujado. A solidão da figura. Boca fechada. O novelo girando escada abaixo, avenida abaixo, bairro, vida abaixo. Mais um dia por um fio. Para quem já viu, sorte. Para quem nem, perdeu. Alguém se desfez. O que era tez, corte. Brilho, fosque. No fio da meada passou manteiga e comeu.
224
224.
ESFIAPO. 11.08.2020
224