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222. SALPICAO. 09.08.2020 222

O pai chegou depois. Sujou a mão de sangue ao puxar a gaveta. Não estava mais lá. Uma faca a menos no cepo. Saiu do primeiro quarto procurando por mais. Apertou a mágoa como se fosse sólida. Sujou a parede de vermelho. Seguiu pelo corredor, tinha certeza, mas a cabeça entrou nos quartos mais uma vez. A casa um dia foi cheia, mas tudo que quebrou, só quebrou. Sala vazia. Voltou por onde veio. Pegou outra faca e desceu a escada para a piscina. Ouviu os primeiros gritos. Evitou um degrau. Afinou o ouvido. Apertou o cabo como se fosse útil. O susto com a ex-mulher atirou o cativo degraus abaixo. Ela e a travessa fincados na ardósia. A arma branca atravessou o coração do homem que já tinha os dias marcados. A espera de vinte anos acabou. Um homem livre de pecados pagos. O dia dos pais, finalmente, pôde ser comemorado. A cozinha imunda seria tema para depois do enterro do finado.