Sabe os romanos? … Aqueles mesmos. Sincretistas, cheios de impostos, isso… cobravam pela urina coletada e também por distâncias percorridas… Nada ainda? Meu Santo Odômetro! (O quê? Não posso cultuar mais um deus? Só mais um…) Enfim, deixa esses romanos para lá. Gregos me confundem menos. Melhor, esquece. Presente de grego é o ano de 2020. Um número tão redondo, moço. Cheio de coisa boa esperando o carimbo da data em cima. Estou com três agendas aqui cheirosas. Tão imaculadas quanto o sanduíche quentinho que sai do traseiro do motoboy, digo, traseira, de isopor. Álcool em gel, tudo protocolado. Você se importaria de darmos uma paradinha rápida ali pelo século XIX? Preciso ir a um lugar utilizando uma “cabriolet”, carruagem mesmo. A novidade boa é que instalaram uma parada que cobra a taxa por quilômetro rodado. Gambiarra que aprenderam pelo século 2. Eu sei que pedi para esquecermos os romanos, mas são gente trabalhadora. E o povo tá até “shippando” a engenhoca. Da taxa, pularam para “taxímetro” – palavra nova ou estrangeira sempre traz um frescor para os lábios. Faz a gente acreditar que tá tudo certo, tudo diferente. Daí, já formaram o neologismo ótimo com a outra palavra francesa. Mas agora é só “taxi”, “taxicab” tornou-se démodé. Pessoal tem pressa na língua. Estou ansioso para os americanos ganharem logo aquela guerra e trocarmos para o inglês. Palavras mais curtinhas são melhores quando se manda o povo à merda, sempre com elegância. “Va te faire foutre” agora é só “fuck u”. Já não se ofende mais como antigamente, apesar da mesma tática burocrata de não estar nem aí com qualquer paralisação democrática. De biga, charrete ou Honda, ainda precisamos entregar a mesma encomenda a milhões de “destinatários”. Outra palavra enorme que enxerta dicionários, quando se pode apenas dizer “cê é loko, mano, não sou otário”.
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SERIE ATAVISMO TAXI. 01.07.2020
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