Por falar em nuvem de gafanhotos, insetos – e afins -, uma pulga me disse para prestar atenção aos pequenos intervalos do dia. Estes que, entre um evento e outro, nos pega distraídos. Eu, Raffael, morro de medo das pausas. Nelas, deposito minhas angústias. Ficam entre o recebimento de uma compra e a hora mágica, bem ali, dou de cara com o susto da novidade. Essa lista de devires. Mas é a tal métrica do cinema: uns sete minutinhos de diálogo, calmaria, depois vem a hecatombe – seguida de outro intervalo para explicar o que passou. Saindo do banho, e ainda pensando nos acrídios pernudos, comecei a listar o número de bichos que conheço. Catálogo interminável, mas todos no passado. Onde foram parar as joaninhas? Os grilos, besouros. Quanto tempo não vejo um “coleópteros de asas membranosas”. Que palavra boa de falar: “be, SOU, ro”. Já para ver a bruxa, é só ligar a tevê. Mas como me distraio muito… vivo ocupado, apagando meus próprios incêndios, para que os bichos, os insetos, os quadrúpedes e os acéfalos voltem. Casos abafados pelas subsequentes notificações. Imagino que estamos todos em um tornado de intervalos. Cada um vai tentando, aos arremessos, sair ileso. Assim, meio zureta. O intento é mover-me pleno, tal qual o passar da borboleta. Se me arremessam, não tenho pouso. Encontro o chão sem diálogo. Bato asa feito louco. Mas quem vê cara, não vê sutileza… Seguimos, com a distância entre o motorista – cá dentro – e o ex-mosquito. Tendo sua dignidade extirpada, para lá e para cá, por um limpador de para-brisa. Que tristeza, meu Deus, de azul a avareza.
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METRICA. 02.07.2020
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