Amanhã, vem um dia maior. A rotina – e tudo o que nela contém – distrai-nos. O tempo faz o seu trabalho. Passa por nós retirando o que é de seu interesse. Deixa o homem nu perante o escuro vazio do seguinte. Não sou cego, sequer posso imaginar andar na escuridão. Entanto, é o que me acontece todos os dias, inúmeras vezes. O chão esfola-me a planta em tropeços. Pé direito, ontem, pé esquerdo a meio trajeto rumo ao imediatamente agora. Tão breve quanto a pausa, é o presente. Ele corre atrás da gente ao contrário. Quando, finalmente, nos deparamos com sua tez esplendorosa, o revés nos atravessa com a velocidade e a violência do engano. Escorre por entre falantes enrugadas, pele seca, memória confusa do que foi (se ainda o for). Ganhamos tempo à medida que perdemos. O “cashback” das forças geofísicas está, segundo o bigode de Leslie Morrison, no reservando uma hora a mais. 25 horas daqui a 2 milhões de séculos. Mas tanta coisa depende disso, né? Eu gostaria de uma hora a mais… Tem que ver a questão do sono, leis trabalhistas… e se a minha sacola plástica vai derreter as calotas polares. Mas até isso acontecer… Nem vamos mais estar aqui. Você acredita em reencarnação? Por que, se acreditar, aí… fodeu. Vem, julho! Seja bem-vindo. Vem ver o que aconteceu.
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FMFB30 JUNHO. 30.06.2020
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