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028. SALADA MISTA. 28.01.2020 028

Confio muito em minhas amigas, elas não colocariam qualquer coisa em minha bebida. Só que aquilo no meu quintal me fazia duvidar até da minha mãe.    Já ouvi falar que tem umas drogas que a pessoa toma e não volta mais. Fica lá viajandona com os parafusos pra fora. Na manhã seguinte ao nosso encontro de revendedoras, a minha cabeça explodia. Eu tinha explicado que tinha terminado um antibiótico dois dias atrás. Mas daí né, um drinks aqui outro ali, fiquei lôcona, mais doida que a Elke Maravilha.    Tá, enfim. Acordei de manhã e o Rufus, meu cachorro, estava girando de um lado para o outro. Pulava, latia. O bicho me acordou, não tinha nenhuma neosa para me ajudar a abrir o olho dignamente. Preparei o café tudo errado, esqueci de colocar o pó. Quando vi a água rala caindo na jarra de vidro fiquei puta.   – Rufus, cachorro fiduaégua. Pára de latir.  – Oi, Bia.  – Ah! oi amor, desculpa o cachorro tá maluco, vai lá descobrir o que tem no quintal:  – Não, primeiro eu quero um beijo bem gostoso com bafo de tequila. – Ah, você quer? Então toma aqui seu beijo.   O cachorro invadiu a cozinha. Pulou em tudo, interrompeu meu beijo e ainda quebrou a jarra de café.   – Puta que pariu, Jeniffer, olha a cagada que esse cachorro fez.  – Rodrigo, vai lá fora ver o que tá acontecendo por favor. E não grita com o cachorro que “você” me deu.    Pela porta da cozinha, entrou o primeiro, com um gorro engraçado. Vieram saltitando, até se formar um círculo em volta de nós. Eu tive que me abaixar para ouvir o que diziam, eram tão piquititos.    – Com licença, senhorita. Essa besta peluda interrompeu nossa reunião, de caráter sigiloso… hã? Hum! e oficial.    Era tão doce e educado. Quase o abracei. Meu namorado estava com a pá de lixo e a vassoura na mesma mão, como quem segura um buquê de flores.    – Que ele falou?    Todos nós estáticos, inclusive meu cachorro, que parou para observar a interrupção de um outro baixinho pistola da vida.    – Mestre, deixa de onda, o bicho fedorento acabou com a nossa festinha. – Zangado, por gentileza, controle o seu temperamento…    Entrando pela mesma porta que os sete entraram, uma mulher com batom borrado, muito feia. Se não tivesse de vestido… Com certeza tinha uma baranga por baixo daquilo tudo.    A moça de arquinho vermelho, se desculpou e retirou o grupinho da minha cozinha. Mexendo com a cabeça apontando para fora. Saíram pulando por cima dos cacos com os gorros nas mãos e se abaixando como seu eu fosse um imperador coreano.    – Rodrigo, você quer babador, lindo.    Ele fingiu que estava limpando o chão. E eu continuei procurando uma neosaldina, porque eu não sou obrigada.