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313. REPROBOS. 08.11.2020 313

A mão tremia ao segurar, pela primeira vez, com tamanha violência o cano de metal. Os olhos pesavam sobre a vítima, dilacerada, gotejando vermelho. A mancha tingia com fúria o acusado. Todos se afastaram, a autoridade estava a caminho. Começava a negociação. O refém seria liberado na presença de um responsável legal. Evacuaram a área. A noite chegou. – Miriam, boa noite. O barulho do portão velho feriu de morte o silêncio. – Boa noite, tenente. Atrasada, de novo. – Preenchi uma papelada hoje para a transição do governo, como está seu sobrinho? – Está ótimo, imundo, ele supera. – Que houve? – A caneta estourou. Uma coleguinha gritou “bala perdida” e você pode imaginar como foi minha tarde: uma desgraça. Derrubaram o armário de artes, gritaram. Seu cartão está mais para um Pollock. – Ele fez isso pra mim? Que amor, olha esse coração? Amei irmã. Você é uma excelente professora. – Sou sim, mas não sou babá. O Yan é seu filho, e não meu. – Se o papai tivesse aqui, diria que você é o sargento da família, “fessôra”. – O papai está morto, “tenente”!