Areia, carbonato de sódio, calcário etc., temos aí a xícara. Duplique as quantidades e teremos duas, triplique, e surge uma tarde de papo entre amigos. O vidro é um dos componentes necessários ao bom desenvolvimento das ideias. A louça é delicada, mas suporta o calor de um reencontro demorado. Plantio, florada, colheita, é desta forma que nascem os grandes. A bebida sela as temperaturas, tempera os pontos de contato com a cultura do interlocutor, do amigo, do outro – que, por intervenção do acaso, se torna outra face do seu eu. O próximo estágio é o processamento. É preciso também abrir espaço para a torrefação, se aturamos isso em casa, é preciso estender benefício aos parceiros escolhidos para outras jornadas. Somos tudo do mesmo saco, pesado e exportado. A classificação é uma questão que pode ser final, mas tangia etapa meeira: o importante é não separar grãos. O arábica 100% é excelente, fino, paladar diferenciado. Mas o que fazer do conilon? Dessa mistura amarga de diferenças? Bom, aqui em casa sempre tem espaço para mais uns tantos. Se não tem, não é aqui em casa – é outro lugar que ainda vai ser casa, um dia, quem sabe -. Casa é o que você leva quando vai embora. Pode ser um capricho; uma mesinha dobrável estendida na garagem, biscoitos e máscaras caindo de felicidade. Receber é bom. Esse abraço que, mesmo proibido de alcançar, se abre na espera da próxima visita. Deixa robusto o laço que amarra lembrança boa. Mais um ano que, assim como o vapor, se vai e se volta para depois de hoje. Nessa sucessão de futuros, de pretéritos torrados, moídos e coados. Só o que fica, é. Essa é a ontogenia do café.
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A ONTOGENIA DO CAFE. 09.11.2020
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