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344. QUESTOES. 09.12.2020 344

Fazer qualquer coisa de uma vez é impossível. Aprender um idioma em um dia? Nem. Conseguir dinheiro suficiente para comprar uma casa, um carro? Igualmente improvável. Quando dou uma geral pelo meu quarto, vejo a quantidade de objetos que me rodeiam. Todos eles, fui eu quem trouxe para cá. Cada um traz uma memória, teve um motivo para se reunir aos demais. Motivos que esquecemos nas esquinas dos aniversários de chegadas, mas o afeto permanece. Perceba, então, que não se trata de causas, mas de necessidades. Somos seres que pedem, que precisam, que desejam de forma constante. Ora com mais, ora com menos intensidade. Mas acumulamos fatos, lembranças e referências que não damos conta. Eu só sei andar para frente, não sei você. Outro dia, recebi um e-mail do Google dizendo que a política deles mudou, que não vão guardar minhas fotos para sempre. Isto me fez refletir sobre viver o passado ou tocar o barco e não se lembrar que as provas estão lá, levo apenas o que consigo carregar. Esses fantasmas não têm idade, são invisíveis até que se evoque a memória que guardam. É como um livro que mudou sua vida, mas se pedirem você não consegue se lembrar de uma linha completa. É a grande figura que transforma. A quarentena ensina muita coisa errada, as coisas boas a gente capta, assimila, apreende, ninguém ensina, vem. Quando vem, quando a ficha cai, é para sempre. Ali é o ponto de inflexão da mudança, ali trocamos de pele e deixamos o passado descansar. Só lembrança basta. O legal é recordar e recriar.