Se alguém a visse pela rua, diria que era modelo. Simone tinha a beleza crua, sem esforço. Cabelos Dourados. Bastava caminhar para receber olhares. Mas andava sempre com pressa. Atrasada pegou a marmita, passou um batom e saiu. Não deixou café para a irmã. A gravação de voz dizia para ir trabalhar, apesar do que diziam os jornais. – Parece que não vem ninguém aqui, né, amiga? – Quem vai querer comprar bijuteria com essa gripe, Simone? – Menina, por falar nisso, comprei um celular novo. Olha… Os roubos na região do centro se tornaram frequentes. Mas agora só havia pombos na praça Costa Pereira. Simone saiu mais cedo. – Boa tarde. Seu Claudio está me esperando. – A senhora é a dona Simone? – Senhorita. Senhorita Simone, eu não sou casada. Empinou o busto. Tirou dos ombros um fio de cabelo seu. Sua expressão facial passava a mensagem de que não era nada importante o que ia fazer ali. – Perfeitamente. Vigésimo sexto andar. O elevador é por ali. E este aqui é o seu cartão, é só aproximar naquela catraca. – Posso usar as escadas? Senhora, são vinte e seis andares… Simone limpou a testa. Não conseguia se lembrar qual era o andar. Andava lentamente. Trêmula. – Vigésimo, “senhorita”. Só encostar o cartão. *** – Você é mais bonita ao vivo. – Obrigada. Nunca fiz isso, tá? Minha amiga que me incentivou, estávamos entediadas na loja e… – Percebi. Está tremendo. – … Não é por isso, é o elevador. – O que tem ele? – Nada… Claudio tocou os ombros de Simone e massageou lentamente. Beijou-a no rosto e as bocas se encontraram. – Sua primeira vez mesmo. Pareceu tensa. – Estou nervosa porque preciso voltar, pelo mesmo lugar. Mas aqui foi tudo muito bom. Você pode descer comigo? Desceram juntos. Claudio certificou-se de que ela entraria no táxi em segurança. Simone saiu do prédio, finalmente. Respirou fundo sentada no banco de trás. Claudio bufou como um leão frustrado na investida contra o gnu. Não olhou para trás. Ao voltar para sua sala, encontrou o celular de Simone sobre o sofá.
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PECADOS SIMONE TINDER. 17.03.2020
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