A mochila jeans aguardava na quina do sofá. Sid tinha a agenda lotada. Cobrava caro para descontar as horas desperdiçadas na sala. Preferia documentários. Quando assistia a todos, rolava o feed para ver o próximo post da namorada. – Você demorou a ligar desta vez… – Seu telefone estava desligado. O preparador físico deixava o celular no modo avião nas maratonas de séries. Na internet, as maratonas que ele corria levavam a mensagem de “saia do sofá, a vida é aqui fora”. Eram poucas atividades ao ar livre, mas rendiam muito conteúdo para as redes sociais. Guilhermina administrava tudo. Quando enjoava de sua conta pessoal, a ‘influencer’ passava para a do namorado, um expoente nas redes. – Você é uma promessa, amor. – Obrigado, Gui. – Apesar de quase não malhar… – Genética. Se liga nessa parte, ela vai pegar o namorado no flagra. – Seu telefone está tocando, toma. É a Paula, de novo. – Obrigado. – Atende lá fora, tenha respeito pela sua namorada. A transformação era visível. Ao desligar o telefone e atravessar a sala, Sid já deixava Guilhermina excitada. Inclusive tentou impedir algumas vezes. Mas ele sempre dizia o mesmo: – Quando conseguir pagar mais, eu fico. De jaqueta preta sem mangas, Sid deixava Jacaraípe rumo ao Bairro de Fátima. – A moto que eu te dei não consegue te trazer mais rápido? O relógio está contando. Entra. – Boa tarde, Brigite. Como vai querer hoje? O zíper da mochila abriu-se lentamente.
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PECADOS SID NETFLIX. 18.03.2020
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