No reino encantado de Manoela as flores desabrochavam toda manhã como um bálsamo da natureza. O bom-dia dos pássaros sibilavam a esperança de dias extraordinários. Promessas boas surgiam do reflexo de cada talher de prata exposto sobre a mesa. – O que você acha, Timtim? O coelho balançou as orelhas. Princesa Manu rodopiava e cantarolava as mais belas canções palacianas. O som de sua voz combinava-se aos dos pássaros. Juntos alcançaram notas que rompiam o entardecer. A grande hora estava prestes a chegar. – Vamos servir bolinhos de entrada. Em seguida, uma deliciosa sopa de ostras. Quase sinto o gosto, Timtim. O coelho balançou as orelhas mais uma vez. Gazelas circularam pela casa arrumando os detalhes da decoração. Os gatos iam e vinham carregando guardanapos, saleiros e pequenos objetos. Do lado de fora, o jardim resplandecia o tecido alvo dos bangalôs para a sesta da tarde. A coruja trocou o dia pela noite para que tudo desse certo. Conferia cada item das listas para a mesa, área externa e convidados. – Está tudo pronto para o grande jantar de mentira. Deixe que os convidados entrem, Timtim. O portão rangeu com a chegada de uma linda mulher. Alta, de vestes azuis. Um véu cobria sua face. A luz vermelha coloria as paredes do castelo em pequenos intervalos. Estendeu as mãos e entregou o ‘marmitex’ à princesa. A rainha recebeu um saco. Dentro dele, alguns itens de higiene. O vazio escapou para dentro do barraco aos galopes. Revirou a prataria, quebrou a louça. Engoliu a decoração com a fome de mil lobos. A coruja encolheu-se apavorada. Os animais fugiram, as luzes se apagaram. O jantar, infelizmente, fora cancelado por falta de condições mínimas de fantasia. Timtim, mesmo sujo, mudo e faltando-lhe um dente, permaneceu encostado num canto. Observando corajoso e fiel o momento de recomeçar.
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O JANTAR. 01.04.2020
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