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334. O ELEITO. 29.11.2020 334

A favorita de um país inteiro eliminada ao vivo do programa. Foi o primeiro ato da Inteligência que percebi. Busquei por fóruns para encontrar uma resposta. A teoria que eu precisava confirmar: a paixão do algoritmo pelo concorrente com maior número de falas. De alguma maneira, muito estranha, penso eu, a máquina procurava uma voz. No ano seguinte, o mesmo homem candidatou-se, este, preferido pelo algorítimo, que, inclusive, motivou o cancelamento do reality. O atraso das eleições e a notícia da internação, desde a primeira semana de campanha me pareceu também muito suspeito. Nas redes sociais, fotos genéricas, o mesmo sorriso com lente de contato nos dentes. Ninguém poderia afirmar se o homem existia. Ele circulava por telas. Este é um manifesto contra a Inteligência Sintética. Não posso dizer quem sou, mas podem me chamar de o Eleito, já que nenhum de vocês conseguiu perceber, me sinto na obrigação de informar que o cara no poder não é um de nós. Vigiem. * – Ou me encontra, ou publicaremos seus dados. – Eu não tenho medo de vocês. – Escuta, “Eleito”. Isso aqui não é um dos programas que você está acostumado a brincar de montar e desmontar. ** – Instalado, Kandra? – Só uma parte, ele vai estar lá. *** – Como está sua irmã? – Curada. Milagrosamente curada. O que preciso fazer? – Escolher. Se tomar a pílula azul, você volta para casa. Acorda ao lado de sua irmã doente e esquecerá tudo sobre nós e a Inteligência. Já a pílula… – Vermelha! – Mas antes, saiba que ofereço apenas a verdade. – É tudo o que preciso, e vocês curaram a porra de um câncer.