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341. NIVER. 06.12.2020 341

Eu, Raffael, faço aniversário hoje, dia 6 de dezembro, portanto, assisto a muitos outros aniversários ao longo do ano. Neste, em específico, por se tratar de 2020, fiquei imaginando o que sentiria quando chegasse minha vez de agradecer e tal, soprar velas, enfim. Estranho ter que dar conta do meu nascimento no cenário que estamos. Penso que não precisa, sinceramente. Comprei um bolo de R$4,60 (esses de padaria) – que vem com uma embalagem que o Brasil todo escuta se você abrir de madrugada. Bolo pelado, eu chamei, afinal, não preciso perder o que nos torna os humanos que somos, a “frescurage”. Esqueci real de comprar a vela no supermercado, usei essas de casa mesmo, que serve tanto para apagões quanto para um jantar meio romântico ou aquela reza que, “vamo” combinar aqui, te deu um ENEM. Fiquei preocupado se algum espírito se sentiria ofendido com o uso adaptado, mas soprei-a. Meu café da manhã foi uma festa “intimista”, porque se tem bolo de cenoura não dá para esperar. Mas o que sobrou depois? Algumas fatias e um arranhadinho no ego. Será que está certo seguir assim? Deveria sentir algo mais, né? Sei lá, um glacê por cima de tanta coisa? Cheguei à conclusão: não vou me cobrar tanto. Nada está como era no “mundo antigo”, e estou feliz em escrever isso. É um ato político, primeiro, estar vivo, morando no Brasil (esse que taí, né?) e atravessando o (mil perdões, mas preciso xingar) cara*** do vírus da covid-19. Percebi o uso excessivo desta expressão a seguir e vou replicar aqui: esta é a “melhor versão” de mim. É tudo que tenho, e ela (minha face ultra combo confiante) não vai parar de surpreender até as estatísticas mais apocalípticas. Vem meteoro, que o bunker tá pronto e nossa raça é ruim, mas, em duas palavras? Vai passar, por cima ou por baixo. Feliz aniversário, Raffa do futuro.