O livro intitulado “A Peste”, de Albert Camus (lê-se “Cami”), voltou a ser lido e falado, em decorrência da maior mobilização coordenada da história da humanidade: os “lockdowns” – decisão estratégica e emergencial em resposta à pandemia causada pelo novo coronavírus. Já Alberto, que nada tinha de francês, até então, só havia lido “O Estrangeiro”, do mesmo autor. Pesquisando na internet, encontrou uma adaptação para o cinema – do diretor Luchino Visconti. Assistiu. Ao final, como sugestão, apareceu outro filme, este, sobre a biografia do autor. Assistiu também. Após dias arrastando-se pela casa de roupão e canecas sujas, Alberto esqueceu o porquê. Apenas obedeceu às sugestões. Parou. Olhou em volta. O apartamento com varanda parecia uma gaveta desarrumada onde tudo que não tem lugar na casa vai parar lá. Apesar da não previsão de futuras visitas, sentiu-se envergonhado. Arrumou o lugar. Limpou o chão. Lavou as louças. Removeu as camadas de preguiça e procrastinação com bucha e sabonete líquido. Motivado pelo ímpeto do isolamento, pôs-se a escrever. Nos primeiros minutos, um som de notificação. A tevê foi ligada mais uma vez. No laptop, o marcador do editor piscava pedindo atenção. No mundo lá fora, a popularidade da peste crescia.
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MAGNUM OPUS. 05.04.2020
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