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003. IRIDESCENTE. 03.01.2020 003

Uma certa princesa, muito adorava por todos os camponeses tinham um poder mágico: podia trocar de cabelos sempre que quisesse. Às segundas, exibia madeixas rosadas, às quartas todos esperavam os cabelos enrolados. Aos finais de semana, era imprevisível, dependia do humor da pequena, mas sempre sedosos, mesmo em cor verde limão, ou azul-celeste.  Um dia, algo estranho aconteceu. A rua ficou silenciosa. Alguns diziam que ela ainda dormia, que permanecia jovem. Outros diziam que estaria presa em seu quarto no alto da torre. Mas o fato é que princesa Ísis nunca mais foi vista cantarolando pela vila.  Uma vez, não se pode afirmar ao certo, a mulher do padeiro ouviu de uma senhora que comprava legumes na barraca ao lado, que a princesa havia sido punida por uma maldição. Como pode uma menina tão doce pagar por algo tão cruel, alguém dizia. Pobrezinha.   A muitos dias de cavalo dali, havia um castelo. Neste castelo moravam alquimistas. Em um dos jantares a pequena Ísis foi o tema da durante a refeição.   – Grandiosíssimo Senhor Mago Supremo, trago a confirmação. A tripulação da Elfodron confirma o paradeiro de Princesa Ísis. A menina se encontra presa ao cetro enfeitiçado pela…   – Continue, Milorde… Pela quem?  – O cetro pertence à bruxa Amárgara, ó Fabuloso.  A temida Amárgara era conhecida por invejar as belas princesas e roubar-lhes o que havia de precioso. Ísis havia perdido os cabelos, que agora pertenciam à bruxa, outrora expulsa do castelo suspenso dos Primeiros Alquimistas.  Certa feita, a bruxa havia desistido de batalhar contra um dragão que protegia outra de cabelos tão compridos quanto a vontade da mulher em possuí-los. Agora toda a maldade havia sido lançada sobre menininha cantora da vila camponesa. Indefesa, foi sucumbida sem resistência. Sem motivo que justificasse tamanha crueldade.  Em outra parte muita distante dali, em um quarto já sem cores, vaga-lumes surgiam eriçados em volta de uma faísca. Essa luz crescia e  repelia os insetos. O Mago Supremo havia encontrado a menina. Do lado de fora da torre do cetro, os vaga-lumes se aglomeravam com a chegada de cada elfo para a montagem da guarda.   O cetro tinha o dobro do tamanho esperado pelo Supremo, outros alquimistas surgiram em socorro. Uma princesa estava prestes a perder o título de nobreza. Uma pedra iridescente fincada ao lado da cama roubava-lhe a energia vital, restava muito pouco a se fazer.  O papel do Supremo era treinar o séquito de futuros magos para aquele momento. Apesar de raro, todos estavam preparados.  – Meus amigos, recebam nossa Rainha no Castelo Suspenso, “Salvadariandareno”. – “SALVADARIANDARENO”.  O grupo reunido lutava para manter as mãos dadas. Lá fora, os drones reluziam, e dentro deles as bocas abertas dos Elfos admiravam e diziam uns para os outros que aquilo era um evento raro. Era uma honra.  Como o esfiar da seda que vestia o corpo minúsculo, o Mago Supremo se desfez em  chispas luminosas disparadas pelo quarto, em direção a pedra do cetro, reduzida a um amuleto no pescoço da menina. Fraca, sentiu o peso das madeixas correrem o rosto emoldurando o sorriso vigoroso.  Os magos a levaram, a princesa-rainha sentia uma leve certeza de seu destino. Talvez ela já soubesse o que fazer. Em agradecimento à redenção do Mago Supremo, seu pai. Ísis se tornou, depois de um longo período, a primeira bruxa do Castelo da Vila dos Novos Magos. Instaurou o primeiro curso de iniciação exclusivo para princesas com super poderes. Já não era mais necessário esconder-se nas alturas, torres isoladas ou pedir ajuda ao clã dos anões da floresta. Todos estavam em paz. Pelo menos até a convenção promovida por Amárgara, mas isso é outra história.