311
311. INTERPRETACAO. 06.11.2020 311

Não é possível encarar uma imagem de Freud pela rede sem fixar a atenção naquela sobrancelha esquerda levantada, inquisitiva, “monalísica”. Então, eu passei a colecionar poses, miradas enigmáticas e expressões, durante minhas pesquisas, nesses rostos do passado. Aquele era o jeito de tirar uma foto antigamente. Em janeiro desse ano de 2020, fui visitar uma exposição de Chichico Alkmim (1886-1978) no Palácio das Artes (BH) e percebi os mesmos olhares inquietos, de quem precisa ver o futuro pela novidade da câmera. Mas se tratavam de pessoas anônimas, que não apareceriam em buscas, senão atreladas à figura do próprio mestre Chichico de Diamantina. Fiz assim: criei um método para despertar a criatividade. Busco rostos anônimos, dos quais nunca saberemos mais que a região onde foram capturados, e dou nome, profissão, cacoetes e salários. Reúno famílias separadas pela falta de ousadia. Procuro semelhanças. Existe todo um novo jeito de navegar pelos dados. Sabe qual? O seu! O seu jeitão de burlar o fluxo do comum. Crie e reedite seu conhecimento, sua curiosidade agradece. Uma última dica (logo eu, que dou apenas amor): por um dia, fuja dos sugeridos de todas as redes sociais. Mergulhe no escuro do seu Eu. Veja se esse tiro atravessa o muro das próprias censuras que o cérebro pode erguer. Em letras miúdas: leia o que não te agrada, ouça uma música que ninguém te disse para ouvir. Visite algo novo com autonomia. Depois volte para contar, e não indicar. Combinado? (eu sei que tá 😉 )