A fotografia vem antes da fotografia. Qualquer fotógrafo dirá isso a você. Para a turma que escreve, e essa expressão pertence a um grande amigo meu, precisamos antes “encher o regador” para, depois, molhar as plantas. Se é preciso encher o esse baldinho e pensar antes, é preciso fazer boas seleções. Será? Me perguntei outro dia se eu tinha vergonha de escolher entre uma coisa e outra, de exibir esse processo – e não apenas citar os melhores. Toda vez que alguém me faz uma pergunta sobre livro ou manual, o ímpeto é imediato: percorrer a estante com a ponta do dedo analisando o melhor item para exibição. E isso escapa para outras áreas da vida, outros aspectos. Por exemplo, entre uma pessoa triste e uma alegre (cheia de histórias engraçadas)… Quem vai merecer sua companhia? … Não precisa responder. Mas a pessoa triste, talvez, não tenha com quem seguir adiante. Por falta de opção mesmo, ou padrão de escolha, ou doutrina do bem-estar de quem o observa. Vá e faça uma escolha diferente. Pega a tristeza e leve-a para passear. Aceite que ela existe, converse, distraia-se no caos. Quem sabe não paramos de pensar tanto antes de apertar o botão, um pouco que seja, por precaução mesmo, deixamos o baldinho no quintal, trabalhou tanto. Saia para dar estrelinhas na grama, beber água da chuva fria. Ninguém mais dança na chuva. Só vejo gente correndo com as mãos na cabeça. Depois, volte. Nada é tão sério que não possa virar brincadeira, e toda brincadeira tem um fundo de privacidade.
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FMFB29 ESCOLHA RUIM. 29.06.2020
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