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179. FMFB27 JARRO. 27.06.2020 179

Detenho em minha personalidade alguns traços dominantes de, atenção, inquiribilidade. Mesma capacidade, natural e inata, que fez com que Pandora abrisse o jarro. A curiosidade matou o gato, o dono do gato e quase tacou o pau na deusa Ártemis, a mais gata do Egito. Não era uma caixa, mas, por alguma tradução equivocada do século XVI, temos uma substituição de objetos. E é isso o que importa aqui: a função do passado em fragmentos das pessoas que não somos mais. A memória adorna os feitos, enobrece os fatos. É um filtro do Instagram primitivo e orgânico. Signo, significante e significado remodelados a cada passo que damos rumo ao segundo adiante. É uma caixa! Isso já se tornou uma verdade. Temos aí a origem de nossa atual situação pandêmica. Pergunto: foi mesmo por desobediência que a pobre filha de Zeus libertou todas as pestes e doenças que o homem enfrentaria? Coitada da esperança, ficou “alone in the dark”, … uma certeza: de lá, saíram os predecessores da COVID19, a doença que já é uma lenda, porque mito nós já temos em excesso, e nenhum é um deus honroso ou, sequer, messias. Voltando para os deuses criados, quando ainda não se podia explicar alguns fenômenos, Pandora caiu no papo de Hera. Recebeu o presente mais capcioso e deu no que deu. Sejamos curiosos, mas podemos parar de defender nossas versões pretéritas e inacabadas e dar conta do que ainda temos que alcançar. Com ou sem a bravura de uma titã manipulada pelo pai magoado. E, se ainda há esperança, perdoemos os hecatônquiros que um dia fomos e façamos o certo pelo amor de Zeus. Raios! A guerra, aqui fora, é de usurpadores do Olimpo contra verdadeiros filhos de Prometeus. O estágio supervisionado de Tártaro acabou. E Plutão nem é mais planeta.