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175. FMFB23 FEIRA. 23.06.2020 175

O rapaz da feira, bem no início da pandemia, chegou por meio de indicação pelo Whatsapp. Excelente o moço. Trazia as maiores goiabas, a couve mais fresca e sempre dava um agrado; uma fruta a mais, uma novidade ou especiaria. Hoje, vamo aí… uns três meses depois, subiu ela, minha mãe, arretada da vida.  Estava nervosa com a falta de comprometimento do Biroliro (troquei o nome). Não veio a batata-doce, a banana-verde – fases na cozinha -, para a biomassa. A mexerica, estranha. Tudo errado, e tão normal, que ela nem percebeu que o acordo já havia descambado. Lei da oferta e procura. O moço era o primeiro da lista trocada por mensagem. Ele estava voando nas entregas, prosperando.  Melhor, ou em igual patamar, só a cabeleireira que entrega máscaras caseiras. A cada mudança de protocolo pela OMS, mais a nova costureira do bairro empreendia, reinventava-se. Minha mãe também vai precisar se virar se quiser atrair a atenção do cara da feira.  Toda relação ganha uns entalhes com o tempo. Arranha-se pela passagem das horas, dos dias, das décadas. A data de validade quem define são as partes. Novos vínculos surgirão. Melhor estarmos todos preparados. Seremos a turma “beta” de cobaias do devir, do que será que será. E, se eu conheço bem a dona Zeli, para ela, nada mudará.  Só será visto e sentido por quem estiver preparado, atento, com uma lista pronta de tarefas a zerar. A “dona encrenca” só quer a goiaba verde e a banana certa. Eu que me lasque para arranjar.