Algumas manias a gente carrega pelo tempo: aquela segunda foto para garantir, mesmo pelo celular. Levar um documento impresso, mesmo que aceitem o PDF. E a certeza de que se conhece muito bem. Esta é perigosíssima. Um gatilho audacioso para quem está confinado, sofrendo alguns efeitos novos, é o do imprevisto dentro da própria casa. O vaso do banheiro está minando uma água estranha no azulejo do chão. Meu coração palpita em ter que realizar qualquer obra. Agora então… Já dediquei algumas orações ao rejunte. Consigo imaginar a parede inchando e explodindo. E eu tendo motivos reais para enlouquecer. Mas, hoje, a questão humana moderna mais relevante foi a impressora “wireless” da casa. Me sinto envergonhado em ter que gastar papel para um comprovante que pode ser lido por uma tela. A imagem está em crise? Qual o substrato do futuro? Humilhar-me perante um objeto sem tela touchscreen, tão enigmático quanto minha fúria. Aí começa a frustração, que pode me acompanhar por horas. Estou puto porque é uma questão de flexões do substantivo “moral”? Ou seria pela vontade de alcançar o chão e rolar? Como uma máquina pode desestabilizar um ambiente no auge de três meses em isolamento? Me achava um perito. Vislumbro o papel saindo quentinho. Símbolos e signos impressos em jato de tinta. Consigo ouvir o som, mas nada acontece. Ao desistir, no último movimento na intenção de puxar o cabo, tento mais uma vez. Claro que iria funcionar. Bravo! E eu envergonhado por ter feito pirraça. Forjado ataques que justificassem o enxovalho da quinquilharia versus o homem sem argumentos. A raiva envenena as sinapses, bagunça a razão. Hoje, vi uma raposa aguardando no tronco do equilíbrio. Inarredável, ansiosa por mostrar os dentes. Tomado por siricuticos e espasmos, respirei fundo. Aceitei aquela cópia mal impressa de mim mesmo. É difícil sair pela esteira sem amassar as arestas. É preciso estar vigilante. Não copiar, replicar coisas ruins, principalmente quando levar o golpe. Melhor pedir desculpas, refletir e aproveitar a oportunidade para mudar, inclusive de impressora – ou até mesmo de hábitos. Preserve o tronco, os frutos, e a criatura selvagem à sombra da copa jamais atacará.
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FMFB22 COPIA. 22.06.2020
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