Eu gosto quando a semana começa com um número par: 22 de junho. Dois patinhos na… Ah, esquece. Lá em Santarém será feriado. Aqui em Vitória também… Vários feriados, um seguido do outro. E quando um não quer essa folga, o outro obriga. Quem diria que eu, deitado, sem falar com ninguém, evitando gente, estaria salvando o mundo. Só não pode acabar o milho. Tudo é narrativa em acolhimento voluntário. Nas ondas das “lives”, vi gente novinha ter certeza. Vi gente vivida assumindo não saber nada, que aquilo seria um abrigo, uma troca de gentilezas. Outro dia mesmo, uma pessoa me perguntou por “dm” e eu respondi que sim, eu era um escritor. Se uma pessoa trabalha pintando paredes todos os dias durante anos? Açougueiro? Respeita meu passado, cabra, senão passo-lhe a faca. Agora preciso me envergonhar por dedicar uma, duas, três horas em algo que se me tomam não suporto o que sobrar? Escrevo de mãos vazias. Escrevo só de olhar. Quantas linhas se foram enquanto me beijavam. Sem saber, eu mesmo, do ledo engano. Assumirei que é necessário de minha parte alcançar metas, chegar em muitos lugares subjetivos. O caminho é notoriamente infinito. Inclusive, tempo de vida não me resta para ler todos os livros de que disponho, e não por isso desistiria pelo caminho. É necessário passar do terreno pantanoso do senso comum. Enveredar-se pelos sistemas, problemas e organizar o tempo. Estou condenado, disso não restam dúvidas, mas não saberia como voltar. Nada de migalhas ensinando a meia-volta. Nessa viagem vou sem par, mas o prazer – com o perdão do pífio trocadilho – é ímpar. Inigualável. Melhor só seria se pudesse voar. Me faltam as penas dos patos na lagoa. Mesmo podendo, só alguns alçam vôos longevos. Seria eu um pato selvagem, migratório? Isso é matéria do tempo, e só o tempo me dirá. Então, não me venha com efemeridades, tenho mais o que deitar sobre papel e entregar.
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FMFB21 PAR. 21.06.2020
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