Pois é, acordei hoje procurando meu preconceito escondido, velado em algum canto de mim. Encontrei-o na expressão e na comunicação de um texto que, de tão criminoso, interrompi. Observem que eu não estava no tom certo. Sequestrei a fala de uma mulher, mãe, que havia perdido à bala. Mas, peraí, isso aqui é ficção. Tenho licença para tal, posso vestir o vermelho dessas dores. Não é o estado mesmo que chancela exceções ao seu bel prazer? Para investir naquela gente que tem medo de sobrar e medo de morrer? Busquei meu preconceito cabeludo e achei. Piolho de perninhas, ainda pior, lêndeas, que se reproduzem na própria busca e apreensão. Liberdade e mãos para o alto. Um alto desigual, hierárquico, elitista, nórdico. Você está preso, no tempo. Sem chance de pensar, mania de achar que sabe se ter apre(e)ndido. Não tem esquerda e direita para você, segue reto, rapá, que sua mãe chama, mas você não olha. A dor traz a lucidez. Paralisado está o menino que segura a mochila contra o peito. Do luto para a luta. O único medo é perder mais um que está em casa, amolando facas e reerguendo, tijolo por tijolo, o direito de fala.
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FMFB11 MAES DESGOVERNADAS. 11.06.2020
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