Quem visitava a cidade, estranhava a falta de serviços básicos. Nada de hospital, farmácia, delegacia. Não havia como comprar um pão ou mesmo a própria farinha. E, mesmo assim, as ruas lotadas de gente para lá e para cá. A pressa daqueles entregadores em executar o prazo era considerável. As ruas enceradas. Pegadas marcando o piso era o que de mais interessante havia. Não reparei na geografia, nos monumentos históricos do lugar. O clima era agradável, meia-estação. Curioso, me comprometi a seguir um dos entregadores até o momento final. O rapaz fez uma curva tão repentina que, ao tentar simular o movimento, escorreguei e caí. Ele percebeu o ocorrido, me olhou bem na cara e perguntou se aquele era meu nome. Olhei bem o embrulho… – É o meu nome aí. – Eu sabia, procurei o senhor por quase uma hora. – … Eu estava seguindo você… – Pois aqui está o meu Pedido de Desculpas. Só abrir. O jovem deixou o recibo por cima do laço e fez um gesto de despedida – o mesmo que eu havia reparado nos demais, quando terminavam um serviço. Que cidade curiosa! Na volta, me sentindo mais íntimo, perguntei para um aqui, outro acolá, o que havia nos pacotes. A maioria era um Eu Te Amo. – Tá todo mundo pedindo, senhor. Deixa eu correr. A saída da cidade é nessa direção. Como eu havia errado o caminho, peguei o carro e voltei por onde entrei. Ao chegar em casa, veja só que curioso, uma caixa linda. Já embrulhada, com o nome do destinatário preenchido. Dentro dela, estava acomodada, quentinha, entre bolinhas de isopor, minha Saudade. E o mais interessante, depois de ver tantos trabalhadores na mesma atividade até eu tinha aprendido como enviar este pacote que, de tão perceptível, já era um fato inviolável. Um sentimento de verdade.
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FMFB10 COLETA DOMICILIAR. 10.06.2020
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