Veja só que encontro inevitável de duas solidões; eu daqui, escrevendo, e você aí. Palavras conectam a nós todos, nos transformamos, assim como o adjetivo “só”. Tão gasto, coitado, tinha que ver. Tão surrado pelo uso ordinário que lhe atribuíram o sufixo “inho”…, mas o poeta Guimarães, gentilmente, duplicou o sufixo: um trisal, desempoeirado. Ah! Um carinho nesse dia 12… Que falta que faz, né, minha filha? Esse encontro com a gente mesmo, demora para acontecer. E quando acontece, a gente está tão desinteressado na matéria, na carne tenra, que prefere abrir-se para outra coisa: um livro, um gato, um chá. Preguiça disso, daquilo. Essa gente, de carne e osso, que me perdoe, mas… é chato. O egoísmo me impede de cumprir atos generosos, de dizer sim. “Vai pra lá” você pode dizer para o sem vergonha do bichano, que deu fome ele volta. Ferir sentimentos dói muito, e a gente vive fazendo isso aqui dentro. Quando viu, já foi. Tá lá no chuveiro em posição fatal, autofágica. O que seria de nós sem o fim? O que seria de nós sem um igual, tão distante que a sedução do impossível eleva-o ao status de lenda? A metade, não colhida, apodrece às dezenas no laranjal. As roupas, que deveriam estar no chão, secam flamejantes na corda do varal. Obrigado por intensificar minha solidãodão, Rosa. Obrigado por me deixar brincar nesse imenso quintal.
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FMFB12 SOZINHOZINHO. 12.06.2020
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