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225. ACOSSADOS. 12.08.2020 225

Queimei o dedo, pensei nela. Tudo que vivemos e não entrou para os autos. Dos intervalos entre as mentiras. Ela ainda deve fazer as melhores pazes de qualquer guerra. Sem trégua. Inauguramos espaços, fechamos galerias. Me disse que não, convenci que sim, mais de uma vez. Fomos tudo, ensaiamos com nada, bem Brecht mesmo. Romance imaginado. Segundo artigo da revista papo furado science que eu mesmo inventei, de sete em sete anos trocamos completamente todas as células do corpo. Não posso responder pela pessoa que fui no passado. A pele da orelha expulsa a cera a cada três meses. Fomos o cotonete um do outro, utensílios inúteis, infecção purulenta. Vagamos sem utilidade. Trocamos tudo que vimos, nadamos pelados, dependentes da química na lama. Por falta de leitura, romance inacabado. Ficou ali meio jogado. Hoje quando algo de ruim acontece, me lembro. É a coleção de feridas que guardo numa caixa de passado.