– Tem certeza? É a mesma empresa do noticiário? – Ligaram para o celular dele, é um sinal. Né? Tome seu café, está atrasado. * – Bom dia, mamãe. Papai tomou tudo! O médico pediu moderação. A senhora deveria ajudá-lo e não entupir o velho de cafeína. ** Nota mental: o salão de espera é maior que a minha casa inteira, incluindo a garagem. – Senhor Mubarak, Zayn Mubarak. Sente-se, por favor. Se fossem me prender já o teriam feito. Fui liberado do detector de metais, isso é estranho. Não usei o elevador principal, mas um particular de dentro de uma sala menor no primeiro piso. – Gostaria de uma água? Talvez um “chá”? Ele sabe? Como poderia? – Senhor Mubarak, ou devo chamá-lo de “Mr. Tee”? Não, importa, não é verdade? Já não acreditamos nesta, como posso definir? Autoimagem residual que, para se diferenciar, precisa de um nome, de um significado maior, de sentido. Os números não bastam aqui. Fui pego! – Não, ainda não. – Como sabe? – 15 tentativas de leitura sináptica, sem sucesso. Minhas assistentes têm um olhar compenetrante, não acha? Veja, é justamente “isso”, que vai tirá-lo daqui, vivo. – Como…? – Não. Esse jogo de perguntas não vai acontecer. Nós sabemos sobre sua “garagem”, o que tem lá e como podemos usar isso a nosso favor. – Escuta, como eu saberia? Eu apenas entreguei a base de dados. – Bingo! O noticiário. Sabe o quanto custa mantê-la? Exigente, egocêntrica, mas vaidosa… entregou você sem, digamos, mudar de canal. Abram a camisa deste mamífero incapaz. ** – Meu filho, você demorou. Como foi na entrevista? – Melhor impossível, senhora Mubarak. Melhor impossível… – Senhora? ** – Não vai subir para comer? – Ele voltou estranho. Me chamou até de senhora. – Estranho como? – Bom… cabelo cortado, ficou ótimo, aliás. Roupa cara. Não sei… compenetrado, sabe? – Já disse, o lugar dele não aqui. Passa o sal!
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ENTREVISTA. 27.11.2020
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