– Bom dia, mamãe. – Lucas, que coisa boa. Achei que fosse demorar dias até retornar. – É… desisti de viajar. Já sei mais ou menos como será meu futuro. Papai? – Não pára mais em casa. – Trabalho? – Muito trabalho. O departamento suga a alma do coitado. Quase não vive a própria vida, parece um súdito da burocracia. – Com licença e boa tarde, “Shirlei”, posso levar o menino comigo? Obrigado. – Não consegui nem abraçá-la. Um banho seria ótimo. – Ela não sabe que você entrou naquela sala. E tome isso. – Um Chiclete? – Mastigue, vai conduzir enzimas pelo seu corpo e limpar a sujeira daquela boate. Tem o frescor do Oceano. Preciso te mostrar uma coisa. O velho abriu os braços e aguardou aplausos. – Nada… – Ah! Sim. Trinity… Um objeto desdobrou-se na calçada em frente aos dois. Um simples aglomerado de metais. – Isso é uma tampa de bueiro? – “Isto” é o que estiver disponível em metais seminobres para que nós possamos saltar. Trinity está implementando práticas de reutilização de materiais. Assim, só podemos ir onde for seguro. Eu o chamei de Pogo-Pulo, mas a Trinity disse que se chamaria Time Vault. Não vou mais precisar de peças que, talvez, não existam no ano em que estivermos. Resumindo, vamos atravessar portais. – O que fez com o DeLorean? – Está aqui. Apontou para o bolso e puxou o neto para cima da tampa de bueiro. “Desculpem o solavanco. Ainda estou ajustando a calibragem de minerais disponíveis. O ano 2004, 28 de janeiro”. Vô, é o primeiro salto em que eu existo paralelamente. Acabo de fazer quatro anos, em algum lugar. Você ainda vai aprender que passado, presente e futuro são, de fato, uma coisa muito relativa. Estamos aqui para libertar uma garotinha de trabalho escravo em pleno século vinte um. O que ela tem a ver com as mães do milênio? Ela é uma promessa que fiz. Precisamos agir rápido. Na fazenda quatro fiscais chegavam para averiguar uma denúncia. O tiroteio assustou a garotinha que correu para os braços dos viajantes. O portal fechou segundos antes de a bala ser disparada na direção do teletransporte. No mesmo lugar, no passado, momentos antes do parto, a mão conhecia a mesma filha, quatro anos após sua morte, que aconteceria em poucos minutos. – Obrigada, professor. – Não há mais tempo, vá em paz, “Juli”. De volta ao ano de 2018. – Quem é essa menina linda, Lucas? – Mãe, eu a encontrei na rua. O nome dela é Juli. Ela parece estar sem memória. Podemos ficar com ela? – “O senhor parece contente” – Eu não sabia que você desempenhava traços de sentimentos subjetivos. Trinity, temos muito o que conversar. O sorriso não se desfez tão rápido. Aquele desfecho pedia um passeio bucólico de carro com algum disco dos Rolling Stones antes de voltar para o futuro. – “Quantos anos apagou da memória, professor Clive Brown?” – Dois anos. Para uma criança com quatro anos e meio, pelo que ela já viveu, foi um presente. Você viu onde coloquei meu Time Vault?
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DIREITO HUMANO NUMERO 4 NENHUMA ESCRAVATURA JULI. 04.05.2020
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