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124. DIREITO HUMANO 3 O DIREITO A VIDA. 03.05.2020 124

Não pedimos para nascer. No entanto, imploramos por alguns instantes a mais quando em face da morte. Talvez por isso todos nós, na condição de encarnados, tenhamos o direito a algo que, nem sequer, requisitamos. Compensação é uma boa palavra para descrever o sentimento de Lucas em permitir que seu avô o levasse às suas viagens.  – Eu não tive escolha, sua mãe é minha única filha.  – Não fale dela no presente, ela está morta.  – Sim… é isso que temos que fazer. Você me distrai muito, garoto. Vamos.  – Qual o ano?  – Trinity, faça a busca por grau de dificuldade, já salvamos duas.  – Peraí, quem é Trinity?  – “Olá, Lucas, eu sou “e” “sisteme” por trás da tecnologia de nanoengenharia. “Venhe” do ano 3000″.  – Não olhe para mim, veio dentro disto.  O cientista mostrou o pulso. O relógio exibia algo parecido com a língua que Lucas conhecia, com alguns símbolos adicionados.  – Doutor, ao ano é 1998. Alguns minutos antes da inseminação, para ser mais “exate”. Tenho uma janela de 25 minutos.  – Ótimo. Ponha o cinto, garoto.  Estacionaram o carro em frente à casa noturna. – Você vai usar isto.  – Um boné?  – Apenas use, ou vai voltar para o carro.  Os dois olharam para o veículo dobrando-se em várias partes menores. Em segundos já estaria no bolso do doutor.  – Boa noite, senhores.  – Senhores…? – O velho, apesar da aparência, era um adulto. O garoto, apesar do boné estranho, era uma linda mulher. – Como vocês dizem? Irado. – Vô, eu estou dentro do minecraft?  – Não sei o que é. Eu chamo de reprojeção espacial do ambiente, as pessoas foram substituídas por blocos coloridos, para que você saiba onde pisar. Siga-me. Não tire o boné em hipótese alguma. As Orquídeas não podem saber que estamos aqui.  Lucas podia sentir a vibração da música, as vozes sintetizadas. A atmosfera soturna e artificial irritava o doutor, ansioso a procura de Maria.  – Luz ultravioleta para fins recreativos, interessante. Sente-se… Garçonete, por favor.  – Pois, não? Alguma bebida especial para sua namorada?  – Ei. Namorad… – Chiu… Sim. Esta “bela moça” vai querer um “Airam, ahnev ogimoc aroga”.  Na saída desastrosa, onde um velho arrancava uma das garçonetes e uma criança para fora, todos os seguranças foram alertados.  – Trinity…  Dentro carro, a moça permanecia em silêncio.  – Eu sempre volto no banco de trás. Aqui é bem desconfortável, sabia?  – Calado, você tirou o boné.  – Você quem saiu correndo… – Não importa. Vamos deixá-la em casa e você volta para o banco da frente. Longe da cidade, num subúrbio de ruas estreitas, Maria saía do carro que a sequestrou.  – Obrigada pelo remédio, já me sinto bem melhor. Até mais, Lucas.  – Ela, digo, ele, manda beijos, nos vemos por aí, “Maria”.  – Um: como conseguiu convencê-la a sair conosco? E dois: ela vai esquecer tudo, não vai?  – Um: usei o criptografônic-BTz40, para que ela me obedecesse. E dois: sim, eu disse o nome dela, então, provavelmente, vai entrar em casa sem qualquer vestígio de lembrança das Orquídeas. E, antes que você pergunte, todos têm o direito à vida, ela inclusive. Por isso, vacinei-a. Para eles, está, digamos, “envenenada”.   – E de forma nós a salvamos? Comigo vestido de mulher?  – Só escolhem uma por planeta. O processo de seleção é televisionado. O público já deve estar pedindo por outra galáxia. Enjoam rápido. E você só poderia entrar se eu usasse alguma técnica de registro de padrões de interferência de luz… – Nada… – HoloCap 8.0, um aparelhinho que seus filhos adoram no futuro. Holografia sintética hiperplásica ultrarrealista. Maria, estava sendo recrutada. No futuro, ela geraria uma das orquídeas. Esse foi o nosso caso diplomático a ser resolvido, pois, ela vai, digo, morreria no parto. – Então, salvamos a mãe… – De fato, a única humana envolvida. Trinity, reprograme o salto para curta distância, estou sem espaço aqui.  Lucas descobriu que o carro também arrancava para cima. E que alienígenas, talvez, sejam coisa de adulto. Ainda era cedo para um viajante estagiário, e aspirante a diplomata, tanta informação.