Do lado de fora da casa, a vida acontecia imparcial. Fria, como toda manhã. Quente estava a sala da família Torres. Café, chá, biscoitos, sanduíches, e muitos abraços à mesa. Juli chegou em um ótimo momento. Humberto esqueceu-se do trabalho, inclusive. – Lucas, o pai daquela sua namoradinha do colégio pode ajudar no caso da Juli. Ele é famoso nessas questões de adoção, guarda legal etc. – Primeiro: Gisele não é minha namorada. E segundo: não vou conseguir largar essa fofura. Principalmente, depois que vocês aceitaram adotá-la. – Vocês homens acham que é tudo num piscar de olhos. Precisamos encontrar a mãe. – Mãe, pode acreditar, no caso da Juli tudo foi e será num piscar de olhos. Falo com ela hoje, pai. – Ótimo. Bom dia para você, você e você, “cutchuca linda ti papain”. E cuidado, ele tem fama de não ser muito educado, mas por essa gracinha, podemos tentar. A formatura havia quebrado a rotina dos encontros diários pelos corredores, mas, na festa, Gisele deixou claro que Lucas seria bem-vindo em sua casa. No caminho, o rapaz passou pelo terreno abandonado. Apertou o bolso para conferir algo. Avistou a casa bonita de esquina. Não sabia como chegar, então, deu a volta pelo quintal para saber se já haviam acordado. Olhou pelo enorme vidro da cozinha. – Com licença, bom dia. Gisele está? – Não. – Mas… tem certeza? Ela me disse para passar aqui há poucos minutos. – Você tá duvidando de mim que sou o pai dela? Você sabe com quem está falando coleguinha de turminha da Giselinha? – Desculpe senhor, volto em outra hora. – Passar bem… Agora pronto, na minha casa um americaninho quer dar ordens. Naquela mesma manhã, três horas antes. – Não grita. Calma. – Como entrou aqui, são seis da manhã… – Longa história. Gisele, eu vi seu pai bater em você, quer dizer, eu sei que ele bate em você. Os hematomas não eram por conta da aula de dança. Eu sabia. – Eu preciso gritar, isso tá muito estranho. – Vamos fazer o seguinte, você iria tomar todo o leite de amêndoas dele hoje pela manhã. Faça isso. E eu cuido do resto. Ok? – Tá, mas… Lucas? … Pra onde ele foi? A janela quebrada explicava os dois garotos em fuga pelo bairro. Foram interrompidos pelo velho furioso. – Quem deu a você autorização para manusear um artefato do futuro? E quem é a namoradinha? E onde está o meu pogo-pulo? – “Time Vault, professor…” – Gisele não é minha… ah! Esquece. Podemos entrar? – Claro, preciso que você seja castigado por roubo. Quanto a ela?… bom… pode vir. Seu nome é Gisela, não é isso? – Vô, nem pense… – Tanto faz… Trinity, continue a busca. Vamos saltar com lotação máxima hoje. – Obrigado por me salvar do meu pai. Eu nunca pediria ajuda. – Nenhuma tortura é permitida, Gi. Por sorte, seu quintal tem muitas pedras e eu tenho péssima pontaria. Ele vai ficar bem, infelizmente. – É apertado aqui atrás né, Lucas? No banco da frente, professor Clive ajustou o retrovisor panorâmico interno.
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DIREITO HUMANO 5 NENHUMA TORTURA. 05.05.2020
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