127
127. DIREITO HUMANO 6 VOCE TEM DIREITOS ONDE QUER QUE VA. 06.05.2020 127

– E então, qual castigo melhor se encaixa na lição “você não tem ideia de onde se meteu, ao manusear um artefato transportado no espaço-tempo”?  – Dois dias trancado no quarto?  – Ele é mesmo seu avô, Lucas? – Longa história, Gi.  – “Doutor, temos uma interferência na rota… Estamos indo para… oh! Não.”   A delegação multidimensional interrogava o professor. Lucas e Gisele aguardavam no carro, trancado pelo sistema Trinity.  – E foi assim que tudo aconteceu, Gi.  – Hoje é o melhor dia da minha vida, e o mais bizarro também. Estamos juntos nessa, você tem direitos onde quer que vá.  – “O que você disse, Gisele?”. – Que o Lucas tem direitos, apenas por ser humano, como todos nós, Trinity, sem ofensas…   Ser um viajante intergalático já era o máximo para o neto do doutor Clive Brown:  – Mas confesso que esse papo de multidimensional… Existem outros “eu”, Trinity?  – “Lucas, existem outros “nós” de diversas maneiras possíveis.  – Não entendi.  Do lado de fora, tudo parecia interessante. O carro flutuava sob uma plataforma luminescente. Inúmeras escadas convergiam para o centro do fórum. Infinitas comissões entravam e saíam de aparatos tecnológicos de transporte. Decisões sendo tomadas via transmissões pluridimensionais. Uma das delegações vinha de Marte. Discutiam sobre o lixo inédito na superfície do planeta.  – “Você compreendeu o que eles disseram, Lucas?” – … – Estamos em uma Blitz, virtual, garoto. Adivinha por qual motivo? Isso mesmo, você não tem uma licença galática-multidimensional: GMT. Estamos ferrados, não haverá julgamento.  – Mas e a minha família? E a Juli? Eu não quero morrer, vovô… – Infelizmente, para esses casos, o Séquito Supremo da Vigília GMT, comprará dos piratas uma cópia multiplásica e enviarão para o exato momento da extração terrestre, ou seja, lá qual planeta for.  – “Doutor…” – Agora não, Trinity.  – Saberão que não sou eu. Meus pais sofrerão. Eu sei disso, por favor, vovô.  – Infelizmente, minha certificação só me permite aniquilar ameaças, e não salvar delinquentes saltadores, logo, ameaça. – Ele tem direitos onde quer que vá, isso deve valer num lugar como esse, senhor. – “Justamente, artigo 6º da DUDH.” Um agente veio entregar alguma coisa ao professor, enquanto a discussão perdia o rumo no DeLorean à deriva.  – Podemos ir.  – O quê?  – Como assim, e o que vai acontecer?  – Nada. Era uma blitz de rotina, minha lanterna está quebrada. Agora, se estivéssemos viajando de Pogo-Pulo, digo, Time Vault… A cara de vocês todos, sem ofensas, Trinity, foi impagável. Lucas, você saltou dentro do seu planeta, e numa área mínima, aliás, está é sua deixa para a devolução do Time Vault.  Os dois, Lucas e Gisele, escorregam aliviados no encosto do banco traseiro. Um objeto caiu sobre o colo da garota. – O que é isso, gente?  – “Oh! Não. Vanessa”.