128
128. DIREITO HUMANO 7 SOMOS TODOS IGUAIS PERANTE A LEI. 07.05.2020 128

Muitas palavras poderiam descrever Vanessa, ou Rian. O único sujeito ambissexual a tentar a categoria de Doutora em Espaço-Tempo. Era também o único agente internacional, bidimensional e intergalático da terra exposto em um tribunal GMT. Uma velha conhecida do professor.  – Gisele, isto é um rastreador plutônico. Não se preocupe, não vai explodir.  Deslizando os dedos pela lataria, pode sentir o motor ainda quente. Os cabelos mudavam de cor constantemente confundindo quem fixasse o olhar. A figura se aproximava. Seu estilo era alinhado, impossível não perceber o ar misterioso vindo da agente. A silhueta identificava se tratar do destacamento androginoide, o típico tailleur preto e gravata vermelha curta.  – Eu não sabia que um DeLorean comportaria mais de duas pessoas. Não sobre seu ego, professor. Perdão, Doutor Clive Brown. Sua melhor aluna, lembra? – Lucas não olhe para ela. Andrógenos espiões têm uma atração por garotos da sua idade. Como vai, Vanessa Rian. O modelo foi modificado por Trinity, depois explico. Você nunca foi boa em adaptação mecânica espacial. – Lucas então… Lucas, saiba que homens jovens são ingênuos, manipuláveis. Sempre ajudam em uma missão. De fato, nunca aprendem nada. Mas, e então, Clive, não está curioso para saber porque estou aqui?  – Estou mais curioso em saber o que foi que o alfaiate da MIG costurou com o resto do tecido…  – Sempre espirituoso. Escute, o caso da Boate das Orquídeas era meu. Você me tirou tudo, não vou permitir que me tire a dignidade perante a corporação. Levaria você ao tribunal, mas… vejo que o destino já o trouxe para mim. Saia do carro, agora.  – Do que ela tá falando, Lucas? – Longa história, Gi.  – “Doutor…?” – Tudo bem, eu saio.  Tentou não vacilar diante da segurança da agente, tampouco conseguiu esconder o espanto do reencontro.  – Eu sei o que você quer e posso te ajudar.  – Somos todos iguais perante a lei, não é mesmo? Ao menos fora da Terra esse direito me é garantido. Me sinto mais em casa fora de lá e cada vez mais parecida com você: sem lugar na galáxia. Ele é filho dela? Da sua filha bastarda com aquela mulher?  – Você sabe a resposta.  – Tá na cara, tem o mesmo olho caído.  – Meu olho não é caído, você que me olha torto. Vamos negociar o seguinte: preciso de suprimento subatômico, mas não posso… você sabe…  – Contrabandear, sei. Vai livrar a minha cara?  – Tem a minha palavra. Saíram os dois rindo da sessão extraordinária. Laika, ao reconhecer Vanessa e Clive, sequer perguntou a razão, absolveu a agente e os enviou um presente.  – Tenho que agradecer duas vezes agora.  – Aquele transmutador custou caro, Vanessa. Na última hora, conseguimos colocar o juiz Barbosa na Sputnik 2. E vejam só, seu sonho de um tribunal galático-multidimensional livre está realizado. Esse assunto é coisa nossa, se importaria se… Dentro do DeLorean, remodelado para quatro lugares, os jovens investigavam o rastreador. Trinity anotava o processo de separação plasmática que observava em pleno acontecimento. O professor agradeceu aos dois agentes.  – Agora, acho que, finalmente, vamos poder continuar. Onde estão os meninos?  A voz dupla afirmou:  – Rian, você trocou o rastreador por um DataPort GMT.  – Eu não, foi você.  – Fomos nós!  – Trinity, vamos precisar saltar na dimensão Z.  – “Doutor, eu precisaria do drive para calcular, além disso, não temos credenciais GMT”. – Quem disse?