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136. DIREITO HUMANO 15 DIREITO A UMA NACIONALIDADE. 15.05.2020 136

Minutos antes de todos chegarem a BabaBoom, professor Clive sentou-se em um dos famosos “Pods Musicais” na Torre de Glacê. O segundo ponto mais famoso do satélite – atrás apenas da Pirâmide de Chocolate. O isolamento acústico era perfeito. A chegada com derrapada brusca de três pessoas, duas delas, conhecidas do doutor, interrompeu um campeonato de adivinhação no coreto da praça, na parte baixa. – Foi mal, galerinha. Campo gravitacional fracionado mal calibrado. Vocês estão bem? – Defina “bem”, Allen… O cheiro suave de jujuba, balas de goma e algodão-doce impregnava os cabelos e tecidos. A neve cobria os cílios dos três visitantes. – Tá explicado. O chão está molhado de suco. – Está nevando, Lucas. Allen encostou a ponta da língua na fina camada de gelo sobre a pele. – Isso não é neve, é glace. Está vindo lá de cima… Eita! Pombas. Quem são vocês? – Por que ela tá brilhando, tio? Ao compreender o motivo da roda de curiosos, Lucas tentou diálogo. – Ela é uma garota mecha, metade humana, metade neometal. – Você é da Terra, senhor? – Você entende o que eles dizem, Lucas? – Eu avisei que ele era um poliglota, Gi. Farejo um, de longe. Em Channel Greenwich, tem muito trabalho pra gente como ele. Repórteres não têm autorização para usar um Criptografônic-BTz40. Então, contratam gente como o Lucas. – Eu sou da Terra também, T-Beta 231. – Eu sou um Glix. – Eu venho de LhamaGum – Acabo de chegar de Plutônera. – Moro sozinho no B-612… Muitas crianças falando ao mesmo, a demora de Trinity e o sumiço do avô estimularam o estresse de Lucas. – Gente como ele ouve pensamentos se ficar nervoso. Ele deve tá enlouquecendo aqui. Vamos tirá-lo desse mar de chorões. – Esperem… – Lucas? – Espera, só um minuto. Garotinha, quem é você? Uma menina, mais baixinha que todos ali, inclusive das próprias crianças, aproximou-se. Durante o trajeto até o grupo, a menina saltitava, como os astronautas. As mãos juntas, com dedos em direções opostas, parecia guardar um segredo. – Você demorou, Lucas Torres, que bom que veio. – O que ela está vestindo, glacê? – A união de todas as cores. Não consegue ver, Allen? – No caso, eu sou a versão defeituosa do projeto Oran. Consegue distinguir? – Claramente. Ela é um dos Filhos da Luz. O que estou dizendo..? – … Vai piorar. Deve estar gravado no “core” básico. Trinity sabe o que faz. As sobrancelhas alvas como leite, os cabelos crespos formavam uma proteção graciosa na pequena cabeça. Os olhos de uma cor muito rara. Uma nuance de… – Lilás. Meu nome é Lilás. Abaixe-se aqui, por favor, Lucas Torres. – E como sabe meu nome, Lilás…? As mãos se abriram e uma luz intensa substituiu o cenário ao redor. Restavam apenas os dois, o poliglota e a Filha da Luz. Todos têm direito a uma nacionalidade, por isso, falamos todos os idiomas aqui. Uma língua carrega uma visão de mundo, uma cultura. O que te assustou foi…? … O fato de você não pertencer a lugar algum… exato. Eu meio que li sua mente, mas não havia nada mesmo, então, me desculpe. Perfeito. Assim como à sua volta, agora, não existe nada. Lucas percebeu que estavam falando sem ecos ou vibrações. Som firme e direto. Alto. O infinito exibiu-se em todas as direções. A agonia da soma de tudo que há. Por que não vejo nada? Como vocês mesmo dizem, “longa história”. O importante, agora, é saber que você carrega uma fração importante da Verdade. Use-a com sabedoria… E ajude sua nova amiga. Antes que pudesse questionar, todos já estavam presentes na cena. O estampido no ouvido com a chegada do DeLorean interrompeu os questionamentos sobre a garota que brilhava. Do alto da Torre de Glacê, uma tirolesa transportava Doutor Clive Brown até a parte baixa do talude. Momentos depois, no futuro: Eu sei que não sou um sistema. Criptografei minha Verdade em uma pasta virtual, não podemos fazer nada… Nós, não. Mas ele, sim. Olá, Trinity. Quantas eras… Como eu disse, encontrei nossa irmã. Me deve uma nova dimensão. E, dessa vez, sem “glitches” e com muito glacê. Posso ficar com as dimensões T? Vamos negociar…