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137. 864. 16.05.2020 137

Estariam os homens, assim como o doutor Clive Brown, Lucas, Gisele ou mesmo Allen; o papiloscopista Siegfried, a repórter Lucy News, ou os mercenários, Vanessa e Rian, preparados para a verdade, a absoluta e reveladora verdade? A filosofia, nascida da necessidade de questionar, com todas as suas palavras rebuscadas talvez não expliquem um fato ignóbil: o mundo que conheceram nascera de um “cupcake” cósmico. Todos eles, partículas na explosão da feitura.  – Por isso são tão sensíveis ao açúcar. Verdade acumulada entope qualquer sistema.  Eu, novamente, serei idealizadora. Você, a mão técnica da criação. Precisamos bolar uma nova dimensão, nada do que está aí deu certo. Preservemos os direitos fundamentais, cabíveis a qualquer criatura. Tiramos os carboidratos, e também os sais.  – Não podemos continuar, precisamos da Trinity. Ela carrega no “core” a teoria geral dos sistemas. Sem ela, nada feito. Vai dar o mesmo problema com os humanos. Proponho revisar os escolhidos, encontrarmos a falha que desencadeou o evento em BabaBoom. Lilás, não somos uma coisa como eles, não podemos ser vistos. Isto é um insulto aos filhos da Luz. Se o humano… Lucas… tem algo a revelar, que investiguemos. Até eu quebrar a criptografia de Trinity… é a única coisa. Comece pelo professor, você sabe ler as antigas escrituras.  – Não vou ler tudo isso. Onde está o livro da Terra-263?  Glitch, o mais novo dos Filhos da Luz, andava sobre arquivos antigos de Verdade. Imensas pilhas de papéis para decodificar em realidade. Lilás, a primeira filha, seria responsável por transcrever as diferentes línguas já criadas. Mas o fato é que, enquanto a progenitora trabalhava em uma nova constelação, pura, equilibrada e substituta de tudo que existiu, os dois passavam o tempo entre registros sagrados na Sala de Todas as Cores.  – Encontrei, Terra-263… Suécia, 1964… O calor do verão sueco surpreendeu a cantora. Antes de se apresentar, desculpou-se pelo resfriado. No teatro lotado, um lugar estaria reservado para o jovem Clive Brown. Atrasado, e ainda se ajeitando na poltrona, a primeira frase, “look at me”, emitida, flechou seus ouvidos com a força do primeiro amor. Reafirmava a paixão pelo Jazz, nascia o desejo irreversível por Sarah.  – É você… – Eu, o quê?  – … Desculpe esperar assim, você nem deve conhecer a cidade… poderia pedir ao seu segurança para nos dar licença, um instante?  – Errol é meu pianista… Erroll, por favor, sim?   – Todo homem tem o direito ao casamento, a uma família. O que acha da hipótese de nós dois formarmos um casal? Quando a vi naquele palco, meu coração foi roubado de imediato. Preciso que devolva, preciso de você Sarah. Clive Brown, muito prazer. Estudo matemática na universidade de Estocolmo. Eu deveria dizer algo supreendente a você neste momento… O jazz pra mim, é um desafio, um desequilíbrio, um lindo caos. Eu nunca deveria ter entrado neste teatro hoje. – E por que não? – Porque tenho certeza que sou teu. E isso me assusta.