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131. DIREITO HUMANO 10 O DIREITO A JULGAMENTO. 10.05.2020 131

– Trinity, preciso de ajuda. – “Senhorita Gisele, ponha o cinto”.  A velocidade das manivelas girando em sentido anti-horário assustou a amiga de Lucas. O cinto contra o tórax cortava-lhe a circulação.  – Trinity, eu quero sair. Aconteceu alguma coisa.  – “Não”.  Os ossos do amigo estalaram no asfalto. A multidão se aglomerou em volta do corpo do garoto.  – Você vai me matar também? – “Olá, este é o modo tutoria do universo Trinity. Por favor, acomodo-se.”. Os metais desdobraram-sem em volta de Gisele. O couro dos bancos dissolveram-se e tudo se tornou grãos de metal. As esferas de material desconhecido giravam e criavam a gravidade que sustentava Gisele na viagem.  – “Consegue me ouvir?” – Trinity? O que está acontecendo? Por que matou o Lucas?  – “Por favor, mantenha a calma. Estamos saltando furtivamente”.  – Por que matou o Lucas? Diga.  – “Longa história, senhorita Gisele. Abreviarei para que possamos chegar logo. Tudo bem?” – Nada está bem…   – “Me diga algo de que goste, para que eu crie o que vocês chamam de metáfora.” – Pelo amor de Deus. Bananas. Eu gosto de Bananas.  – “‘Obrigade’. Veja, o tempo é como uma fruta, um pomo. Este pomo está envolto por uma casca que a protege do mundo exterior…” – Aquele vulto foi a minha casa? …   – “… Pois bem, uma vez exposto não há como voltar. Não se pode reconstruir um pomo deflorado, mas podemos saltar e buscar pelo pomo original. Este novo, pomo do passado, se tornará o pomo do futuro. E, se não o tocarmos, permanecerá intacto, e vivo”. – Resume, Trinity.  – “Estamos voltando para salvar o Lucas. A chave dada pelo Juiz Laika se torna um GPS quando um agente é perseguido pela polícia interdimensional. Lucas atentou contra a vida do Doutor, por deslize, e não digo no sentido figurado” – E por que você o atropelou?  – “Para que possamos salvá-lo. Ele tem direito a um julgamento. A chave é acionada quando o portador transgride as leis universais. Com o Lucas assassino morto, o sinal é cessado. O caso é arquivado. Vamos voltar e buscar o mesmo Lucas. Por isso a trouxe comigo: você será útil, haja vista que não tenho forma concreta”.  – E o que quer que eu faça?  – “Você vai resgatar o Doutor Clive Brown na dimensão T. Antes, vamos buscar Lucas. Preciso do seu braço esquerdo, por gentileza”.  – Como assim? Para quê?  – “Senhorita, Gisele. Eu refiz os cálculos. Esta é a única possibilidade em que posso enviar ajuda ao professor, e você ao Lucas. Parece que se trata de um caso de predestinação, como vocês costumam dizer na Terra. Como devo proceder?”  – Surtei. Desculpa. Lucas me salvou do meu pai. E agora não conseguiria viver em um mundo desses, com viagem no tempo, tecnologias do futuro e agentes intergaláticos sem ele. Parece que minha casca foi rasgada, mas eu devo isso a ele sim… Espera. Vai doer? A agulha surgiu na redoma, como se algo externo tivesse inserido-a. Aproximou-se da pele quente da estudante. A ponta afiada rompeu a epiderme. O líquido instalado nas veias seria a estratégia mais ousada do sistema Trinity.  – “Os nanoTrinytechs farão o trabalho de aprender com seu sistema nervoso central, para potencializar suas percepções. A partir de agora, estamos “conectades”. Alguma sugestão de nome? Preciso inscrever o protocolo na cadeia de comandos”.  – Com esses super poderes e todo esse papo sobre pomo, pode me chamar de Senhorita Pêssego.  – “Que tal… ‘Oran-Gi?’”.  – Orange é laranja em inglês, não é? – “Exato”. – Minha cor favorita, amei.