De volta à mesma vaga no estacionamento, Gisele recolheu-se no banco de trás do Opala. – “Você deve estar hipersensível. Seus tímpanos podem sofrer. No porta-luvas tem uma goma de mascar do satélite BabaBoom…” – Que dor de cabeça. Vai ajudar esse chiclete? Isso é algum remédio? – “Não tenho essa informação. Apenas tenho o registro de mudança de humor do Doutor ao mastigá-lo”. A polaroid caiu sobre o banco do carona. Dentro do compartimento, uma DualShot carregada. Os mesmos cabelos ruivos, as mesmas sardas. – Essa foto… eu ainda usava aparelho. Trinity, porque tem uma foto minha aqui?… Peraí, isso era algum plano para você injetar isso em mim? – “Oran-Gi, você precisa ir agora.” – Não. – “É necessário, não há tempo”. O barulho da Marshmallow assustou Gisele. A moto entrou pela lateral do estádio em direção aos vestiários. – Primeiro, salvo o Lucas. Depois você não me escapa, Trinity. Só salvo o professor depois de saber o que ele estava tramando. – “Lucas. Agora. Vá”. Ao entrar na sala de banhos, Vanessa limpava as impressões digitais do suposto Lucas assassino. Rian girou as chaves da moto no dedo indicador. – Posso tirar uma selfie com Ronaldo, Van? – Pelo amor de Deus, estamos em 94. Não podemos criar artefatos, imbecil. Pegue o Lucas falso e vamos. – Não, ele fica. – Van, ela tá brilhando. A energia em volta da Gisele, ou Oran-Gi, curou o jogador, estirado no chão. Ao sair correndo, Vanessa pronunciou seu nome: – “Ronaldo”, infelizmente você não jogará hoje. – Onde conseguiu um Criptografônic-BTz40? – Roubei de um cara. E essa garota estranha, é a próxima recompensa. – Não hoje. Olha quem vem aí… – Merda. Vamos, deixe o Lucas falso aí, não precisamos mais dele. De dentro do armário, outro Lucas tentou gritar. Gesticulou, esperneou de susto. Sua amiga não havia percebido que estava com metade do corpo para dentro do armário, fechado. – Fala, Lucas? Pronto, agora fala. – Você tem superpoderes. Que demais, como foi que isso aconteceu? – Longa história. Não adiantam de nada, cheguei tarde demais. – Mas este vestiário está uma festa hoje. Quantos saltos vocês usaram aqui? – Como assim? Quem são vocês? – Permita-me: Siegfried Baulman. Papiloscopista da Polícia Intergalática, divisão T. Os senhores são Gisele, doravante, Oran-Gi, eu nem acredito. E Lucas Torres… Neto do renomado e intergalático maravilhoso senhor Doutor Clive Brown. Aliás, excelente trabalho “neste” projeto mecha, senhorita Gi. Já consegue voar, super olfato, atravessar paredes?… Por favor, não use o escaneamento agregado de células, saí sem minhas roupas de baixo. Essa dupla andrógina está nos dando muito trabalho. Só de ouvir a palavra “Vanessa” e “Rian”… ai que horror. Ainda bem que não estou no front. – Então não veio prender o Lucas? – Prender? Não. Somos sempre inocentes até que se prove o contrário, correto? E o boneco de cera ali, é o seu álibi, garoto. Como eu soube que você estaria aqui, “Oran-Gi”… – É só “Gi”… – … Fiz questão de acompanhar o recolhimento de provas que inocentam o rapaz. Santa Via Láctea, eu nem acredito que serei o primeiro a saltar com um O.R.A.N. bem sucedido. Você é o futuro da nossa espécie. Tudo bem que sou metade humano, metade Glix, mas o tratado de Paz de Bruqueosnav, prevê a miscigenação, e reconhece quando o material genético humano é dominante… Mil perdões. Vocês não devem entender muita coisa. Vejo pelas expressões. Bom, rapazes, vamos, vamos. Esse modelo precisa ir conosco. Se importa, Lucas? O garoto arrepiou-se ao olhar para o corpo idêntico ao seu, desmaiado. A cabeça pendurada no colo do soldado interdimensional girava a cada passo. Deixaram um braço cair. Siegfried delicadamente colocou uma luva com a insígnia da P.I. pegou o membro e indicou a saída aos dois. – Onde está meu avô, Gi? – O Doutor!
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DIREITO HUMANO 11 SOMOS SEMPRE INOCENTES ATE PROVA EM CONTRARIO. 11.05.2020
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