No estalo do primeiro cadeado, o pulo da cama fétida. Encostou a cabeça nos tijolos úmidos. O segundo gradeamento emperrava quando aberto de fora, uma vez liberado, os agentes estariam naquela cela em segundos. Apertou o ouvido contra os tijolos. O peito crescia. O pé escorregou com a força contra a parede. Relaxou, desistiu. Levantou o rosto e cerrou os punhos. Um dos agentes atravessou o que parecia uma fina folha de compensado, e se revelou uma parede de concreto maciço. Aceleraram a abertura da última grade. Nada, além do buraco no teto. Cela vazia. – Somos nós… Ela escapou! Os agentes perderam a força das pernas. O tambor de luz vindo do enorme rombo da fuga iluminou uma senhora idosa e um entregador dos correios, restavam caídos no chão da penitenciária estadual. O noticiário exibiu a alteração residual da polícia secreta em ordinários civis. Ele, entregando, ela, recebendo o destino na hora errada. Estava determinado para acontecer, segundo a profecia. Uma hora depois, não havia acontecido nada.
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CRUZ. 25.11.2020
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