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353. CRONICA. 18.12.2020 353

O Brasil tem uma tradição no gênero crônica, enorme, reconhecida; crônica esportiva, cinema, política etc. Agora, com as férias, pensei: vamos ler Paulo Mendes Campos, ora. E Pagu vai esperar? Parque Industrial entrou para minha lista esse mês, de novo. A Peste, tá pela metade. Coitado do Camus (lê-se “Câmí”), tá lá pelas esquinas do quarto, os ratos me esperando na calçada. Ricardo Piglia, Gilmar de Carvalho – e o quanto ainda posso aprender com cordel -, sem falar dos quatro cavaleiros do apocalipse; Fernando Sabino… obrigado pela Bem-Te-Vi. É preciso organização para domar o tempo, fatiá-lo com a precisão milimétrica das horas. Os segundos não param, e se acumulam, e se somam, criando monstros de ansiedade e poeira. Tudo que espera, espera na imundície que o deus Cronos delega. Esperar é vergonhoso. Inadmissível que eu não consiga ler duas coisas em simultâneo. Cérebro capenga, esconde suas capacidades para nos envergonhar. Eu preciso de mais! Mais horas, mais massa cefálica, mais vida. Dois imensos olhos em um só lugar, um desperdício. Camaleão, como te invejo! Sigo vendo tudo, não enxergando muito bem. Ouvindo absurdos e esperando… pela vacina, educação bovina da boiada que está passando. Essa virada promete! Pela cama vou rolar, deitar e não sonhar. Cá te espero, camarada. Tu aí, e eu desse lado de cá. E nem vem que seu problema é crônica. Sai pra lá!