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360. CAVALO DE PAU. 25.12.2020 360

O museu de Madri guarda documentos de Leonardo da Vinci (XV) com o primeiro projeto, não executado, só desenhos. Em 1855 Pierre Michaux inventa o pedal e, para fechar a pesquisa, em 1880, John Kemp Starley constrói uma confiável, completa: guidão, rodas de borracha, quadro, pedal e corrente. Só 19 anos depois, as primeiras bicicletas, vindas da Europa, chegam ao Brasil. São dados históricos, coletados minutos antes de escrever. Nenhumas dessas informações eram do meu conhecimento para o enredo do sonho que tive hoje mesmo. Umas 17h, já estava apagado cheio de açúcar no sangue. O sonho foi completo, muitos dados coesos, sincrônicos e possíveis. Mas levantei e precisei anotar cada detalhe. Dormir pela tarde é melhor para a memória, quando se sonha. Pela manhã são muitas as missões antes do primeiro gole de café. O fato é que Eduardo foi adotado, leia-se comprado, por uma família que fazia experimentos psiquiátricos com garotos muito parecidos com o filho Ricardo que faleceu misteriosamente. Os burgueses ainda tinham três filhos mais novos. Um mordomo compunha a comunidade de um grande casarão que se deteriorava, assim como a própria família ao receber um sósia, ao invés do próximo filho substituto. O mordomo, sempre muito atento, percebe o impostor, e se alia. Os dois traçam um plano para aniquilar o lugar e as pessoas. “Eduardo” se interessava pela arte da hipnose, ainda pouco estudada e por magia e leitura corporal. Convenceu a todos de que era perfeito, evitando os “estudos” denunciados pelo empregado, e se tornou especial, valioso emocionalmente. Até que sua “irmã” caçula, Rosa, conta, por ciúmes, o real motivo da sua vinda, já implícito. O impostor aproveita o momento, do qual tinha total conhecimento, para fingir uma revolta e autoriza o mordomo a destruir a marretadas o que resta da mansão – Este, tinha um gosto especial pelos detalhes, e acreditava precisarem ser destruídos por ele mesmo, por conhecer a história da família, era determinado. O outro, “Eduardo”, rouba todo o dinheiro e vai em busca de sua família verdadeira, posto que residia no mesmo orfanato desde muito pequeno. Ao chegar na cidade de sua mãe biológica… Aí é que tá. Eu também gostaria de saber o final dessa história, mas fui acordado abruptamente, me forçando a dar um cavalo de pau com a bicicleta de “Eduardo”. Talvez um dia conte tudo num pequeno romance ensaístico. Que tal? Feliz Natal. Termine você essa história em 2021. O que “Eduardo” encontra?