O título precisa ser em numeral para simbolizar o caráter de fim de festa para este projeto de escrita. Um ano inteiro, todos os dias. Escrevi dentro de ônibus, sob forte chuva, em enterro. Escrevi quando ainda eram apenas 10 casos. Escrevo agora, aos 190 mil brasileiros mortos pela covid-19. Escrevo como resistência, como prazer e penitência: começou, termine. Os dias a seguir, até o dia 31, serão dias de despedida. Ainda pretendo escrever, mas não aqui. Preciso que meu texto migre, ande por aí. Pode ser que seja sob a forma de roteiros para podcast, vídeos ou algo mais. Tenho menos de uma semana para decidir, apesar de já ter pensado nisso ao começar esse blog. Mas decisões são geradas na espera, protela-se até o dia final. Estou muito grato, mas ainda não é dia de despedida. Hoje foi um dia de energia diferente, deu vontade de escrever que está acabando, deu vontade de dizer que foi bom demais, mas não é hora. O momento ideal não existe. Os fins não esperam o minuto maravilhoso, a hora mágica. Todo desfecho é trágico, todo final deixa um fio de insuficiência no ar. Ainda não é hora, esse termo ainda é um ponto a negociar. Até os próximos 5 dias (tudo pode acontecer), é um encerramento que não é de acabar.
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6. 26.12.2020
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