Todos os anos a festa de Yolanda era comemorada no grande casarão da avenida Itália. A varanda percorria toda a parte da frente. A foto tradicional perdera lugar. A chuva interditou esta e mais três varandas, das casas vizinhas. A defesa civil decretou: todo mundo para fora. – Mama, alugamos uma casa no interior. Sua festa vai ficar ainda mais linda. – Geovana disse o quê, Bianco? – Alguma coisa sobre a casa… festa… não enche… Não está na hora de pegar os meninos? Os familiares chegavam por uma rotatória com um chafariz ao centro. Eram obrigados a admirar a construção ao dar a volta completa. – Valéria, eles estão com bala na agulha. – Não sei porque gastar tanto, a velha já está batendo os cem. – Noventa e oito, mãe. Tá aqui no grupo. A casa trazia nos adornos memórias que não eram as daquela família, não no início. Marcelo Conti chegava com a esposa e a filha, Geovana. Anos atrás, trabalhou duro para superar as frustrações iniciais. Abandonados pela pátria amada, acolhidos precariamente pela gentil. Conseguiram erguer a casa da família, com os três quartos para cada um dos filhos: Geovana, Bianco e… Yolanda não se lembrava do nome… – Marcelo, falta-nos o terceiro filho, a casa já está pronta. – Rita, eu nunca desejei tanto. O parto complicou-se. O bebê nasceu com o pai morto. Na recepção, o homem infartado dividia atenção com a chegada do filho órfão. A mãe nunca mais falou palavra. No auge da festa. O brinde. No tilintar, a voz rouca da senhora, afônica por anos: – Marcelo. Autorização de quinze minutos, apenas. Os filhos entraram na casa para procurar pela única lembrança: o camafeu com a foto do casal. A comoção nacional obrigou o filho pródigo a voltar. Uma senhora o esperava. A casa desabou sobre todos. A lama tirou a vida de um bombeiro no carma particular daquela família. – Na busca pelos corpos da Giovana e do Bianco, encontraram isso. Toma. – Você, quem é? – Eu? … Ninguém.
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CAMAFEU. 13.03.2020
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