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008. BRABA. 08.01.2020 008

Quanto mais distante, menos resolvido está. No zoom, a mancha do mato, do teto, concreto. De cima, a geometria iguala a todos. Blocos quadrados, que virados de lado, se revelam gente, que até sentem.  Os números tentam resolver a falta de razão, são exatos, alguns até cruéis. Quanto é um número do avesso? Quantas vezes aquelas pernas desceram ladeira? Perdeu a conta de quantas porradas levou. De perto, ninguém é normal. O dia vira noite, ele vira ela. Vira, vira, vira… Enchimento, arrastão, saia de couro, tudo custa. Vida custa nada não. Me dá qualquer coisa aí e pode levar. Levou bala. Doce era só o gosto do sangue na boca. Braba veio com o tempo, de tanto lutar.  O dia perde a disputa para a noite. Revanche da noite pela manhã. A natureza tem um quê de eterno, o sol estará sempre lá, a lua também. As horas vêm e vão. Entre um segundo e outro, solidão.  Ela, que era forte, furacão, resiliente como rocha, um dia rolou morro abaixo. O sol não tinha mais a quem passar o bastão. Morte das trevas, grito na luz.  As coisas pedem, cada objeto quer atenção. E no intervalo do arrebol, um batom, caído da bolsa, pedia o fim. Dizia não.